
Dado divulgado nesta segunda-feira, 27 de abril, revela que quase metade da renda das famílias já está comprometida com dívidas; inadimplência das pessoas físicas sobe e juros do cartão rotativo chegam a 428% ao ano
O endividamento das famílias continuou a subir, conforme o último relatório “Estatísticas monetárias e de crédito” do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira, 27 de abril. O documento aponta que, em fevereiro, houve acréscimo de 0,1 ponto percentual e, com isso, o índice alcançou a marca de 49,9% — um novo recorde histórico.
O avanço mês a mês e em 12 meses
O resultado recorde de 49,9% no endividamento foi alcançado após um avanço de 0,1 ponto percentual no mês e de 1,3 ponto percentual em 12 meses. Os dados do Banco Central também revelam que houve acréscimo na parcela de famílias com a renda comprometida. O índice subiu 0,2 ponto percentual no mês e 1,9 ponto percentual em 12 meses, alcançando 29,7%.
Em outras palavras: quase metade de tudo o que as famílias brasileiras ganham já está comprometida com o pagamento de dívidas, e quase 30% da renda é diretamente consumida pelo serviço dessas obrigações financeiras todos os meses.
Inadimplência: queda geral, mas piora entre as pessoas físicas
Os dados do relatório do BC revelam ainda que, em março, a inadimplência referente à carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional ficou em 4,3%. O resultado representa uma redução de 0,1 ponto percentual no mês, mas aumento de 1,0 ponto percentual em 12 meses.
A redução de 0,1 ponto percentual na inadimplência geral no mês foi resultado de queda de 0,1 ponto percentual nas empresas e avanço de 0,5 ponto percentual nas famílias. Os respectivos índices foram de 2,7% para pessoas jurídicas e 5,3% para pessoas físicas.
Em relação ao crédito com recursos livres — negociações de empréstimos e financiamentos cujas taxas são tratadas diretamente entre bancos e clientes — a taxa de inadimplência teve recuo de 0,1 ponto percentual e chegou a 5,7%.
Crédito total bate R$ 21 trilhões
Em março, houve expansão de R$ 21,0 trilhões (162,3% do PIB) no crédito ampliado ao setor não financeiro. Conforme a autoridade monetária, o resultado foi reflexo, principalmente, da queda de 3,1% nos títulos públicos.
Juros abusivos: rotativo do cartão a 428% ao ano
A taxa média de juros cobrados pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo registrou uma redução de 7,6 pontos percentuais em março deste ano, mas ainda bateu 428,3% ao ano — patamar que continua sendo um dos mais altos do mundo e que aprisiona financeiramente os consumidores que não conseguem quitar a fatura integral.
De acordo com os dados do BC, houve uma redução de 4,4 pontos percentuais na taxa do cartão de crédito parcelado, para 192,1% ao ano. A taxa de juros total do cartão de crédito recuou 2,6 pontos percentuais, ficando em 93,2% ao ano.