
Ministro do STF considerou excesso de prazo na prisão preventiva; investigado deixará a Penitenciária Federal de Brasília ainda nesta sexta (24), mas cumprirá medidas cautelares, incluindo tornozeleira eletrônica e proibição de entrar no STJ
O ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin revogou a prisão de Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado na Operação Sisamnes por suspeita de compra de decisões no Superior Tribunal de Justiça. Zanin considerou o excesso de prazo: Andreson estava em prisão preventiva há um ano e cinco meses.
As medidas cautelares impostas
O ministro determinou medidas cautelares ao investigado, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com os demais investigados, recolhimento domiciliar no período noturno e proibição de ingressar no STJ. O investigado também está proibido de acessar os sistemas processuais da Corte.
Andreson deve ser solto ainda nesta sexta-feira (24), segundo a defesa feita pelos advogados Eugênio Pacelli, Luís Prata, Francisco Eslei, Gabriella Leonel e Maria Leticia.
Um histórico de idas e vindas na prisão
O empresário é investigado pela Polícia Federal por suspeita de ser intermediador de venda de decisões judiciais no Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, além do STJ. Andreson ficou oito meses no Presídio Federal de Brasília e, depois, cumpriu prisão domiciliar por quatro meses.
Ele acabou detido novamente em novembro de 2025 após os investigadores apontarem que continuou a cometer crimes, especialmente lavagem de dinheiro. Andreson voltou à Penitenciária Federal de Brasília em novembro de 2025, após passar quatro meses em prisão domiciliar por problemas de saúde.
O estado de saúde do investigado
Em fevereiro deste ano, a esposa de Andreson disse que o marido “corre risco de morrer”. Uma foto da perícia divulgada à época mostrou o investigado em estado esquelético, o que gerou repercussão pública sobre as condições de sua detenção.
A Operação Sisamnes
A Operação Sisamnes — nome que faz referência a um juiz corrupto da Pérsia antiga, condenado e esfolado vivo pelo rei Cambises II — foi deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema de tráfico de influência e compra de decisões judiciais no âmbito do STJ. O caso abalou a credibilidade do tribunal e resultou na demissão de servidores e no indiciamento de operadores que teriam intermediado o pagamento de vantagens indevidas a pessoas com acesso às decisões da Corte.