Auditoria confirma: irregularidades nos negócios entre BRB e Banco Master ultrapassam R$ 20 bilhões

BRB confirma que irregularidades em negócios com Master ultrapassam R$ 20  bilhões | Portal 96fm

Relatório da Machado Meyer e Kroll aponta “falhas graves” em carteiras podres ou inexistentes; banco público pede indenização e quer que patrimônio de Vorcaro e outros réus responda pelos prejuízos


As irregularidades nos negócios do Banco de Brasília com o Banco Master ultrapassam a marca de R$ 20 bilhões, segundo a auditoria independente da Machado Meyer em parceria com a Kroll. O escritório representa o BRB e pede indenização pelas carteiras podres ou inexistentes adquiridas do Banco Master.

No documento enviado à 13ª Vara Cível de Brasília, a Machado Meyer diz que “grupos de trabalho internos para a revisão dos processos identificaram falhas graves e indícios relevantes de irregularidades em porção significativa dos mais de R$ 20 bilhões em operações com o Master”.

“Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB adquiriu carteiras de crédito do Banco Master e do Will Bank que totalizaram R$ 26,6 bilhões, especialmente nos segmentos de crédito consignado e varejo. O volume das operações de crédito foi elevado, chegando a cerca de R$ 6 bilhões apenas em 2024, e os primeiros indícios de irregularidades só se consolidaram após o início de 2025.”

De acordo com a auditoria, as operações do BRB com o Master ultrapassaram os R$ 30 bilhões.

No documento enviado à 13ª Vara Cível de Brasília, a Machado Meyer diz que houve “uso sistemático de estruturas pulverizadas, pessoas interpostas e ‘laranjas’ para dificultar a rastreabilidade perante os entes reguladores e fiscalizadores, tais como CVM e Banco Central”.

De acordo com tabelas internas recuperadas pela PF, o BRB injetou ao menos R$ 8,4 bilhões no Master nos seis meses anteriores ao início das fraudes, entre julho e dezembro de 2024. O valor contábil dos ativos transferidos era de R$ 7,5 bilhões, mas o banco público de Brasília pagou R$ 9,9 bilhões — um sobrepreço de 32%, equivalente a R$ 2,4 bilhões embutidos pelo Master na operação.

BRB quer que Vorcaro pague com o próprio patrimônio

Na ação judicial, o BRB solicita que o ressarcimento dos prejuízos não se limite à instituição financeira, mas também alcance o patrimônio dos envolvidos nas supostas fraudes. O objetivo, segundo o banco, é garantir a recomposição integral das perdas.

A 13ª Vara Cível de Brasília já bloqueou ações avaliadas em aproximadamente R$ 400 milhões que estavam em posse de pessoas ligadas ao Master e à Reag.

A briga pela competência do processo

O BRB defendeu que o processo em que pede indenização do Banco Master, inclusive por meio do patrimônio de Daniel Vorcaro e demais réus, permaneça no Tribunal de Justiça do Distrito Federal. A defesa manifestou-se contra pedido do Ministério Público Federal que apontou a competência do STF para julgar causas envolvendo as duas instituições.

O caso do Banco Master representa o maior escândalo financeiro envolvendo uma instituição pública do Brasil nos últimos anos — com um banco do governo do Distrito Federal servindo como canal de escoamento de bilhões de reais em créditos de qualidade duvidosa ou simplesmente inexistentes, enquanto o dono do Master, Daniel Vorcaro, já se encontra preso preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero.

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