
Ministro Mendonça autoriza acesso a novo lote de provas; caso envolve propina de R$ 146,5 milhões, banco público do DF e aliados históricos do presidente
O relator do caso Master no STF, ministro André Mendonça, liberou o acesso da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro a um novo lote com pouco mais de 600 documentos. A decisão foi dada por Mendonça nesta semana e mobilizou a equipe de defesa do dono do Banco Master, que passou a focar na análise do material.
De acordo com fontes do Supremo, o gabinete de Mendonça tem concedido acesso a documentos sigilosos a advogados do caso Master, desde que não prejudiquem a investigação. Para isso, o gabinete faz uma espécie de checagem para se certificar de que o advogado requerente tem procuração nos autos e que os documentos são referentes ao processo do cliente.
A decisão ocorre em meio a um escândalo que cresce e aprofunda suas ramificações dentro do próprio governo Lula — um detalhe que o Palácio do Planalto prefere manter longe dos holofotes.

O esquema bilionário que envolve banco público
O caso Master não é um escândalo de mercado comum. O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, recebeu ao menos R$ 74 milhões em transações associadas a um esquema de pagamento de vantagens indevidas envolvendo o Banco Master. A operação faz parte da quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga esquemas de lavagem de dinheiro destinados ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
O BRB é um banco público — controlado pelo governo do Distrito Federal — que, segundo as investigações, foi usado como instrumento para canalizar bilhões de reais ao Banco Master em operações suspeitas. A decisão do STF indica que o esquema só não foi concluído integralmente porque Vorcaro tomou conhecimento de uma apuração sigilosa: o banqueiro “teve ciência da instauração de procedimento investigatório sigiloso para apurar, exatamente, o pagamento de propina a Paulo Henrique por meio da aquisição e do repasse de imóveis”.
As conexões com o governo Lula
O que mais incomoda — e que o governo tenta minimizar — são as ligações entre Vorcaro e aliados do presidente. O deputado Maurício Marcon apontou que aliados de Lula foram contratados pelo Master, como o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. “Conselhos pagos com milhões virou método de desvio de recursos públicos”, declarou.
O próprio presidente Lula já se reuniu com Vorcaro — fato revelado enquanto o escândalo ainda estava em desenvolvimento e que causou constrangimento ao Palácio do Planalto.