
Segundo levantamento do O Globo, deputados e senadores brasileiros destinaram ao menos R$ 13,5 milhões em emendas parlamentares a 31 clubes de futebol nos últimos três anos. Embora justificadas como apoio a projetos sociais, muitas dessas verbas foram usadas para custear despesas de equipes profissionais, como salários de técnicos, fisioterapeutas e até compra de equipamentos como traves.

Exemplos de repasses
- Renan Calheiros (MDB-AL): enviou R$ 1 milhão ao CSA, clube de seu estado. Parte da verba foi usada para pagar folha salarial, incluindo profissionais do time principal.
- Soraya Thronicke (Podemos-MS): destinou R$ 1,5 milhão ao Operário.
- Ideal Futebol Clube (MG): recebeu R$ 2,5 milhões.
Crescimento dos repasses
- Em 2024, os valores dispararam, somando R$ 10,5 milhões em um único ano.
- O aumento ocorreu após o STF restringir emendas para ONGs e prefeituras aliadas, levando parlamentares a buscar novos destinos para os recursos.
Prestação de contas e fiscalização
- No caso do CSA, R$ 652 mil foram usados para pagar profissionais da base e do time principal.
- Outros R$ 224,5 mil foram destinados ao chefe do departamento médico da equipe profissional.
- O Ministério do Esporte afirma que, se comprovado o uso indevido, os clubes terão que devolver os recursos.
Debate sobre finalidade
Embora os parlamentares aleguem que os recursos são voltados à formação de atletas e inclusão social, os documentos mostram que parte significativa da verba tem sido usada para sustentar estruturas profissionais, o que levanta dúvidas sobre desvio de finalidade e uso político do orçamento público.