Visita de Lula à Favela do Moinho foi articulada com ONG ligada ao PCC

Lula negociou a visita à Favela do Moinho com uma organização associada ao  PCC

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Favela do Moinho, em São Paulo, no final de junho de 2025, gerou forte repercussão após revelações de que a agenda foi articulada com a Associação da Comunidade do Moinho, entidade presidida por Alessandra Moja Cunha, irmã de Leonardo Moja, conhecido como “Léo do Moinho” — apontado pelo Ministério Público como chefe do tráfico local e integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O que os documentos revelam

  • O endereço da associação, registrado na Receita Federal, é o mesmo onde a Polícia Civil apreendeu drogas como crack, cocaína e maconha em 2023, durante a operação Salus et Dignitas.
  • Alessandra Moja, presidente da entidade, tem condenação por homicídio e já cumpriu pena em regime fechado.
  • A associação foi usada como ponto logístico de armazenamento de entorpecentes, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-SP.
  • A região é considerada dominada pelo PCC, com acesso restrito a não moradores e relatos de ameaças contra quem aceita ajuda para realocação.

A visita presidencial

  • Lula e a primeira-dama Janja posaram para fotos com representantes da associação e anunciaram um acordo de realocação para cerca de 900 famílias que vivem na área, com repasses de até R$ 250 mil por núcleo familiar.
  • O terreno, pertencente à União, será transformado em um parque após a desocupação.
  • A Secretaria-Geral da Presidência, liderada por Márcio Macêdo, organizou reuniões com a associação antes da visita. O ministro afirma que a pauta foi exclusivamente habitacional.

Reações e preocupações

  • A articulação com uma entidade ligada a pessoas com histórico criminal e vínculos com o PCC levanta questionamentos sobre os critérios de interlocução do governo.
  • A Secretaria de Comunicação (Secom) defendeu a visita como parte de uma política de inclusão e afirmou que a interlocução direta foi feita com Flavia Maria da Silva, liderança considerada idônea pela comunidade.
  • O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) declarou que não houve risco à integridade da comitiva presidencial, e que os protocolos foram seguidos rigorosamente.

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