Lula lançou uma nova licitação de R$ 98,3 milhões para contratar três agências de comunicação digital

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou uma nova licitação de R$ 98,3 milhões para contratar três agências de comunicação digital, com o objetivo declarado de reforçar sua presença nas redes sociais. O projeto, anunciado no Diário Oficial da União, promete “narrativas envolventes e acessíveis” sobre as ações do Planalto, em plataformas como TikTok, Instagram, Kwai e Pinterest — mas o que realmente está por trás de uma iniciativa tão cara quanto controversa?

Um gasto questionável em meio a desafios reais

Enquanto milhões de brasileiros enfrentam inflação, serviços públicos precários e insegurança institucional, o Planalto aposta alto em estética digital e impulsionamento político. A contratação prevê produção de conteúdo, gestão de comunidades, monitoramento de sentimentos e publicidade paga — tudo isso financiado pelo contribuinte, às vésperas de uma eleição.

O argumento oficial é que a comunicação pública precisa enfrentar a desinformação. Mas não há justificativa técnica sólida que sustente um gasto de quase R$ 100 milhões em narrativa digital, especialmente quando a versão anterior do projeto foi revogada por suspeita de irregularidade e superfaturamento.

Os erros do investimento

  • Uso institucional com viés político: A fronteira entre informação pública e campanha partidária se torna cada vez mais tênue. Quando o governo paga para destacar postagens em redes sociais que exaltam sua atuação e protegem aliados, o impulsionamento deixa de ser informativo para se tornar engajamento financiado.
  • Desconexão com a realidade social: Apostar em influenciadores e memes enquanto faltam recursos para segurança, educação e saúde é um erro de prioridade. A população exige respostas concretas — não vídeos bem editados em alta resolução.
  • Risco de censura seletiva: O combate à desinformação é legítimo, mas quando feito por quem detém o poder, pode servir como ferramenta para silenciar o contraditório e amplificar o favorável, manipulando o debate público em nome da “verdade oficial”.
  • Baixa transparência e histórico duvidoso: A primeira versão da licitação, de R$ 197,7 milhões, foi suspensa pelo TCU em 2024 por suspeita de vazamento de propostas. A nova tentativa, apesar de mais enxuta, mantém o mesmo foco e os mesmos coordenadores — inclusive o estrategista Sidônio Palmeira, ligado ao PT.

O que está em jogo

Investir em comunicação digital é necessário, mas exige ética, equilíbrio e foco na utilidade pública. Quando a prioridade se torna sustentar uma narrativa de poder em vez de dialogar com a realidade do cidadão, a comunicação estatal perde legitimidade — e o governo se distancia da função para a qual foi eleito: servir, não seduzir.

A democracia não se sustenta com likes comprados. Ela vive do debate real, da crítica livre e da transparência — não de impulsos calculados por algoritmos pagos com verba pública.

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