
A investigação da Polícia Federal, batizada de Operação Underhand, revelou um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares no Ceará, com a cobrança de uma “taxa de retorno” de 12% sobre os valores repassados às prefeituras. O deputado Júnior Mano (PSB-CE) é apontado como figura central da organização criminosa, que teria atuado para direcionar contratos públicos e financiar campanhas eleitorais com dinheiro desviado.
Como funcionava o esquema
- Prefeituras previamente cooptadas recebiam emendas parlamentares mediante compromisso informal de devolver parte dos recursos.
- O valor da “taxa” variava entre 5% e 15%, sendo tratado como “pedágio” ou “imposto” nos diálogos interceptados pela PF.
- Parte dos pagamentos era feita em dinheiro vivo, entregue em hotéis e postos de combustíveis, e outra parte era lavada por meio de empresas de fachada.
Envolvimento de outros parlamentares
- O ministro Gilmar Mendes, do STF, autorizou a operação e determinou a abertura de nova frente investigativa para apurar a possível participação dos deputados:
- José Guimarães (PT-CE), líder do governo Lula na Câmara;
- Eunício Oliveira (MDB-CE), ex-presidente do Senado;
- Yuri do Paredão (MDB-CE).
- Os três foram citados em diálogos e depoimentos, mas não são formalmente investigados até o momento.
- Todos negam envolvimento e afirmam que suas emendas foram destinadas de forma legal e transparente.
Impacto político e institucional
- A cidade de Nova Russas, governada pela esposa de Júnior Mano, foi a que mais recebeu recursos do deputado: R$ 4,4 milhões desde 2021, sendo R$ 3,05 milhões por transferências especiais, sem necessidade de detalhamento.
- A PF aponta que o esquema contaminou processos eleitorais, comprometeu licitações e esvaziou a funcionalidade da administração pública em diversos municípios.