
A disputa bilionária pelo controle da Imcopa, empresa paranaense de derivados de soja em recuperação judicial, ganhou contornos ainda mais delicados ao envolver parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em ambos os lados do processo. O litígio gira em torno de R$ 3,3 bilhões e envolve acusações de fraude, quebra de contrato e disputa societária entre o empresário Walter Faria, dono do Grupo Petrópolis, e ex-sócios da companhia.
Quem está envolvido
A presença de familiares de ministros do STF e do STJ nas equipes de defesa levanta questionamentos sobre possíveis impedimentos futuros, caso o caso chegue à Suprema Corte. Entre os nomes citados estão:
Parentes de ministros atuando no caso:
- Gilmar Mendes:
- Guiomar Mendes (esposa)
- Laura Schertel Mendes (filha, atuou até 2023)
- Maria Carolina Tarelho (enteada)
- Daniele Tarelho (filha de Guiomar)
- Alexandre de Moraes:
- Viviane Barci de Moraes (esposa)
- Cristiano Zanin:
- Valeska Zanin Martins (esposa)
- Kassio Nunes Marques:
- Karine Nunes Marques (irmã)
- Luis Felipe Salomão (STJ):
- Luis Felipe Salomão Filho (filho)
O que está em jogo
- Walter Faria alega ter sido lesado por ex-sócios enquanto estava preso em 2019, após financiar a Imcopa por meio de uma empresa estrangeira (Crowned) sem aparecer formalmente como investidor.
- Os ex-sócios negam qualquer fraude e afirmam que Faria abriu mão de seus direitos até 2025, conforme contrato.
- A disputa ocorre em múltiplas frentes judiciais: Justiça Federal, Justiça do Paraná, STJ — e pode chegar ao STF.
Debate ético e institucional
A atuação de parentes próximos de ministros em causas de grande repercussão reacende o debate sobre:
- Transparência e ética na advocacia de familiares de magistrados;
- Impedimentos e suspeições previstas no Código de Processo Civil;
- Riscos de conflito de interesse, mesmo que os ministros se declarem impedidos.
Linha do Tempo – Disputa pelo controle da Imcopa (2019–2025)
- 2019 ➤ O empresário Walter Faria (Grupo Petrópolis) é preso na Operação Lava Jato. Durante esse período, segundo ele, seus sócios tentam remover seu controle indireto da Imcopa, processadora de soja.
- 2020–2022 ➤ Iniciam-se litígios na Justiça do Paraná e na Justiça Federal envolvendo contratos internacionais, gestão da massa falida e suposta fraude societária.
- 2023 ➤ O caso chega ao STJ, e é protocolada ação que questiona a validade dos contratos firmados durante a ausência de Faria. ➤ Começam a ser identificados parentes de ministros atuando como advogados em diferentes frentes do processo.
- 2024 ➤ A disputa alcança mais visibilidade com a entrada de escritórios ligados a parentes de ministros do STF, o que levanta debate sobre impedimentos e transparência na atuação jurídica.
- 2025 ➤ O caso ainda tramita em diferentes instâncias e pode chegar ao STF, cenário em que a composição das equipes jurídicas pode suscitar declarações de impedimento ou suspeição de ministros.
Essa sobreposição entre vínculos familiares e causas de alto impacto reacende discussões sobre:
- Conflito de interesse e dever de impedimento previsto no Código de Processo Civil (art. 144);
- Transparência na advocacia de parentes de magistrados de cortes superiores;
- Credibilidade institucional em ações com grandes interesses econômicos.