
A recente escalada de tensões entre o Brasil e os Estados Unidos, marcada pelas sanções impostas pelo Tesouro norte-americano contra aliados do ministro Alexandre de Moraes, expõe uma ferida aberta na democracia brasileira: o uso do aparato judicial como instrumento político.

O ministro do Supremo Tribunal Federal tem acumulado poderes que ultrapassam os limites constitucionais esperados de um magistrado. Sua atuação em inquéritos sigilosos, decisões monocráticas e censuras a veículos de imprensa e parlamentares têm gerado críticas dentro e fora do país. O governo brasileiro, ao invés de frear esse avanço autoritário, parece endossar silenciosamente as ações de Moraes — seja por conveniência política, seja por medo de represálias judiciais.
A imposição de sanções por parte dos EUA, incluindo restrições de visto e congelamento de ativos, é um sinal claro de que a comunidade internacional está atenta. A Lei Magnitsky, usada para punir violações de direitos humanos, foi aplicada contra familiares e empresas ligadas ao ministro, o que levanta sérias questões sobre a legitimidade e os impactos das decisões tomadas por ele.
Enquanto isso, o governo brasileiro permanece omisso. A retórica oficial insiste em defender a “institucionalidade”, mas ignora os abusos cometidos sob esse manto. A liberdade de expressão, pilar fundamental de qualquer democracia, está sendo corroída por decisões judiciais que criminalizam opiniões divergentes e sufocam o debate público.
É preciso lembrar que o poder judiciário não foi concebido para governar, mas para garantir o equilíbrio entre os poderes e proteger os direitos individuais. Quando um magistrado se torna protagonista político, e o Executivo se cala diante disso, o país corre o risco de mergulhar em um estado de exceção disfarçado de legalidade.
A sociedade brasileira precisa reagir. A crítica não é contra a justiça, mas contra a politização da toga. E o governo, se ainda pretende ser guardião da democracia, deve se posicionar com firmeza — não contra os Estados Unidos, mas contra os abusos internos que ameaçam a liberdade e a pluralidade.