Bradesco e Itaú adotam postura cautelosa diante da Lei Magnitsky e sanções dos EUA

Presidente do Itaú sinaliza que banco cumprirá a Lei Magnitsky dos EUA  sancionada a Moraes

Após a inclusão do ministro Alexandre de Moraes (STF) na lista de sanções da Lei Global Magnitsky pelos Estados Unidos, os principais bancos brasileiros com operações internacionais — Bradesco e Itaú Unibanco — se manifestaram com discursos alinhados à conformidade legal global, evitando confrontos diplomáticos ou jurídicos.

O que disseram os CEOs

Marcelo Noronha – Bradesco

  • Não discutimos a lei, nós cumprimos a lei”, afirmou em coletiva sobre os resultados do 2º trimestre.
  • O banco possui uma agência, uma filial e duas broker-dealers nos EUA, o que aumenta sua exposição a sanções secundárias.
  • O departamento jurídico do Bradesco aguarda pareceres de escritórios americanos para entender o alcance da medida.
  • A fala gerou reação política: o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou uma ação cautelar no STF para impedir que bancos brasileiros apliquem sanções estrangeiras.

Milton Maluhy Filho – Itaú

  • Cumprimos rigorosamente as leis de todas as jurisdições onde atuamos”, disse durante apresentação dos resultados financeiros.
  • O Itaú atua em 19 países, incluindo os EUA, e conta com estrutura jurídica robusta, com advogados externos e consultores especializados.
  • Maluhy evitou comentar sobre possíveis extensões das sanções ou casos específicos, citando sigilo bancário e a LGPD.

O que está em jogo?

  • A Lei Magnitsky permite ao governo dos EUA aplicar sanções contra indivíduos e entidades acusados de corrupção ou violações de direitos humanos.
  • As sanções incluem bloqueio de bens, restrições de visto, proibição de transações em dólar e exclusão de sistemas financeiros internacionais.
  • Bancos com operações nos EUA podem ser punidos por não cumprir a legislação americana, mesmo que isso entre em conflito com a Constituição brasileira.

Reação institucional

  • O STF ainda não se pronunciou oficialmente sobre a postura dos bancos.
  • Nos bastidores, ministros avaliam que interferir diretamente pode gerar retaliações dos EUA, como multas ou exclusão do sistema Swift.
  • A ação de Lindbergh Farias busca proteger a soberania nacional e impedir que instituições financeiras brasileiras executem sanções sem homologação judicial.

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