“É o terror do Lulinha”, diz Flávio sobre Alfredo Gaspar, seu candidato a vice

Flávio infla campanha com narrativa anticorrupção, mas distancia eleitorado  feminino ao escolher Gaspar, dizem analistas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do PL à Presidência da República, publicou nesta quarta-feira (5) um vídeo apresentando o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu candidato a vice-presidente. Na publicação, Flávio descreveu Gaspar como “o terror do Lulinha”, em referência a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que enfrenta investigações no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao divulgar o vídeo em sua conta no X, o pré-candidato convidou os seguidores a conhecer melhor Alfredo Gaspar e entender por que, segundo ele, a escolha teria deixado a esquerda furiosa.

O material, produzido com recursos de inteligência artificial, traz declarações do próprio Gaspar sobre Lulinha e sobre a relação do filho do presidente com Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e com a empresária Roberta Luchsinger. No vídeo, Gaspar critica o fato de o filho do presidente da República ter se relacionado com quem classificou como o maior explorador de aposentados e pensionistas do país, além de mencionar os repasses recebidos por Luchsinger.

Lulinha é alvo de três inquéritos autorizados pelo STF em desdobramentos das investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Dois processos tramitam sob relatoria do ministro André Mendonça, e um está com o ministro Flávio Dino.

Quem é Alfredo Gaspar

Advogado e ex-promotor de Justiça, Gaspar tem 55 anos e está em seu primeiro mandato como deputado federal, eleito em 2022 com mais de 102 mil votos — o segundo mais votado de Alagoas naquele pleito. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, ele ocupou por duas vezes a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, em 2015-2016 e em 2021-2022, durante a gestão do então governador Renan Filho (MDB), de quem rompeu politicamente em 2022.

Antes de se filiar ao PL neste ano, Gaspar passou pelo MDB e pelo União Brasil. Antes da política, atuou por mais de duas décadas como promotor de Justiça em Alagoas, com atuação de destaque no combate ao crime organizado, tendo coordenado o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas e presidido o Grupo Nacional de Combate ao Crime Organizado.

Gaspar foi relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instalada em agosto do ano passado para apurar cobranças não autorizadas em contracheques de segurados e irregularidades em empréstimos consignados. A comissão foi encerrada no início deste ano sem aprovação do relatório final: o parecer do relator, que pedia o indiciamento de mais de 200 pessoas, foi rejeitado por 19 votos a 12, em meio a impasses entre governo e oposição.

O deputado já havia sido oficializado pelo PL como candidato ao Senado por Alagoas, em convenção realizada na terça-feira (4), antes de ser anunciado como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.

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