Renegociação de dívidas rurais emperra e atraso pode comprometer crédito para a próxima safra

Renegociação de dívidas rurais custará R$ 65 bilhões em 13 anos, diz FPA

O agricultor que foi ao banco nesta semana tentar acertar as contas do campo saiu de lá de mãos vazias. O anúncio da Medida Provisória 1.376/2026 prometia aliviar o caixa dos produtores rurais, mas a promessa esbarrou na burocracia de Brasília. Sem a regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN), nenhuma instituição financeira tem autorização para colocar em prática os contratos de refinanciamento previstos na norma.

Entenda o motivo da trava técnica

O texto aprovado pelo governo funciona como uma moldura geral, mas quem dita as regras do jogo do crédito é o CMN. Cabe ao órgão definir o passo a passo do processo, desde as exigências de certidões até critérios extras de elegibilidade.

Em entrevista ao Canal Rural, o consultor de finanças do agronegócio e ex-diretor da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Ademiro Vian, explicou que a MP estabelece apenas as condições gerais e macro da renegociação, enquanto cabe ao CMN fazer o detalhamento operacional, incluindo a definição dos documentos exigidos dos produtores.

Bancos aguardam sinal verde do Banco Central

Há ainda outro gargalo no caminho: a tecnologia bancária. Os sistemas dos bancos precisam passar por atualizações de software e cadastro de novos códigos contábeis exigidos pelo Banco Central para validar cada operação de refinanciamento.

Enquanto esses ajustes internos não acontecem, os gerentes de agência nem sequer conseguem dar entrada na papelada dos produtores. Especialistas sugerem que, nesse intervalo, os agricultores aproveitem para reunir a documentação necessária e verificar se cumprem todos os pré-requisitos exigidos pela medida.

O risco para a próxima safra

A demora na regulamentação gera uma reação em cadeia preocupante para a economia do estado. Com o nome retido por conta de pendências antigas, o agricultor fica impedido de contratar novos financiamentos para custear a próxima plantação.

O impasse do crédito, no entanto, não se resolve apenas com a assinatura da renegociação. Para conseguir novos recursos no futuro, o tomador terá que apresentar garantias reais atualizadas aos bancos — uma exigência que pode deixar de fora do mercado muitos pequenos e médios produtores.

Medida divide opiniões no setor rural

Apesar do acordo firmado no Congresso Nacional para a publicação da norma na última quarta-feira (15), a Medida Provisória carrega críticas pesadas de entidades do agronegócio. Representantes do setor alertam que a medida pode incentivar a inadimplência no país, penalizando indiretamen

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