
A Operação Janus, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), denuncia que Meire Bonfim da Silva Poza, que atuou como contadora do doleiro Alberto Youssef durante a Operação Lava Jato, recebia R$ 70 mil por mês do Primeiro Comando da Capital (PCC) para fornecer sua estrutura contábil ao braço financeiro da facção. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira (21). Meire é alvo de mandado de prisão preventiva.
De acordo com o MPSP, ela integrava a rede de operadores financeiros da organização criminosa havia pelo menos cinco anos. Segundo os promotores, a contadora utilizava seus conhecimentos técnicos para manter a estrutura contábil e a engrenagem financeira da cúpula do PCC.
Investigação reúne mensagens e movimentações financeiras
Segundo a Promotoria, mensagens trocadas entre Meire e Cléber Azevedo dos Santos, apontado como operador financeiro do PCC, indicam a prestação de serviços contábeis à facção e a participação da contadora em operações financeiras.
A investigação aponta ainda que Meire atuou em favor do advogado Amjad Ahmad, conhecido como “Amim”, realizando atividades como entrega de documentos fiscais, elaboração de declarações de imposto de renda e habilitação de empresa no sistema Radar da Receita Federal — cadastro necessário para operações de comércio exterior.
Os promotores afirmam também que a contadora participou de operações de troca de transferências bancárias por dinheiro em espécie, e citam mensagens em que ela chega a solicitar R$ 55 mil em espécie. O acesso ao conteúdo dessas mensagens levou os investigadores à conclusão de que ela recebia os R$ 70 mil mensais do PCC em troca da disponibilização exclusiva de sua estrutura contábil às demandas do grupo.
Ligação com outra investigação
Conforme apurado, Meire também é ré na Operação Bazaar, ao lado de Azevedo dos Santos, Leonardo Meirelles e outros investigados. Segundo a Promotoria, parte do grupo pratica crimes há mais de 12 anos, e alguns de seus integrantes já possuem condenações definitivas na Justiça.