
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a sugerir o enforcamento de “traidores” durante discurso na sede do Partido Democrático Trabalhista (PDT), em Brasília, nesta terça-feira (21). O evento oficializou o apoio da legenda à candidatura de Lula à reeleição. A fala teve como alvo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
No discurso, Lula afirmou que antigamente quem trai o país era enforcado. Sem citar nomes diretamente, o petista criticou brasileiros que viajam aos Estados Unidos para defender medidas contra o Brasil, dizendo haver hoje vários “traidores” que vão ao país pedir que os americanos imponham punições ao Brasil.
O presidente atribuiu a Flávio Bolsonaro, sem apresentar provas, a responsabilidade pelo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Foi a segunda vez que Lula usou esse tipo de comparação para atacar um integrante da família Bolsonaro. Em junho, o presidente já havia feito declaração semelhante, mas errou ao afirmar que a Coroa portuguesa enforcou Joaquim Silvério dos Reis. Na realidade, foi Tiradentes quem foi executado na forca, em 1792, enquanto Silvério dos Reis foi o delator da Inconfidência Mineira.
Lula provoca secretário de Estado dos EUA
Além de mirar em Flávio, o presidente também provocou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Lula disse que, se Rubio quiser vir ao Brasil apoiar seu adversário, que venha e monte um comitê, porque o governo vai derrotar todos em nome da defesa da democracia no país.
O presidente afirmou ainda, sem apresentar provas, que não permitirá que o negacionismo e o fascismo voltem a comandar o Brasil, reforçando que a democracia tem valor sagrado para ele.
Flávio já havia processado Lula
Depois da primeira declaração de Lula associando “traidores” a enforcamento, Flávio Bolsonaro apresentou notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente. Na petição, o senador argumenta que Lula teria incentivado apoiadores a cometer homicídio contra ele ao relacioná-lo a traidores da pátria e mencionar enforcamento.