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Lideranças do PL aliadas a Flávio Bolsonaro se dizem, nos bastidores, animadas com os resultados das recentes pesquisas internas, os chamados trackings, sobre a disputa presidencial de 2026 contratadas pela campanha do senador.

O que são trackings e por que eles diferem das pesquisas públicas
Segundo caciques do PL, os levantamentos teriam apontado uma redução na diferença entre Flávio e o presidente Lula (PT), que caminha para ser o principal adversário das candidaturas de direita nas eleições de 2026 ao Palácio do Planalto.
Os trackings são pesquisas de intenção de voto encomendadas diretamente pelas campanhas e institutos de pesquisa contratados pelos próprios candidatos — distintos, portanto, das pesquisas públicas divulgadas pela imprensa, como o Datafolha e o AtlasIntel. Eles costumam ser realizados com maior frequência, muitas vezes semanalmente, e com metodologias ajustadas para captar tendências de curto prazo no eleitorado. Como não são divulgados publicamente — suas conclusões ficam restritas à campanha —, os números exatos raramente chegam ao conhecimento geral. O que vaza, geralmente, são as interpretações das lideranças sobre o que os números sugerem. O fato de os aliados de Flávio estarem animados é, portanto, um sinal de que os números internos confirmam — ou superam — o que as pesquisas públicas mostram.
O quadro nas pesquisas públicas: Datafolha mostra 4 pontos de diferença
Lideranças do PL disseram à coluna que Lula ainda estaria numericamente à frente de Flávio nos trackings da campanha do senador. A distância entre eles, contudo, teria diminuído de forma a levar a um empate técnico na margem de erro. A diferença apontada nas pesquisas internas, dizem aliados de Flávio, seria menor do que a registrada nos levantamentos oficiais. No último Datafolha, divulgado no sábado (20/6), por exemplo, Lula apareceu com 47% contra 43% do senador.
Empate técnico na margem de erro é o termo utilizado quando a diferença entre dois candidatos numa pesquisa fica dentro da margem de erro declarada pelo instituto — normalmente de 2 a 3 pontos percentuais. Isso significa que a diferença medida pode ser real ou pode ser um artefato estatístico da amostragem. No segundo turno, os 4 pontos que separam Lula (47%) de Flávio (43%) no Datafolha já estão próximos dessa zona — e se os trackings internos mostram uma distância ainda menor, a campanha do senador teria razão para comemorar, pois indica que a tendência de aproximação estava em curso antes mesmo da divulgação dos números públicos.
Por que o caso Banco Master havia prejudicado Flávio — e por que o caso Wagner pode ajudar
Caciques do PL afirmam que Flávio comemorou internamente o resultado dos trackings. Até então, o senador vinha caindo nas pesquisas após vir à tona sua relação próxima com o encrencado banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A expectativa no PL agora é de que a recente operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no âmbito do Caso Master ajude a reduzir ainda mais a distância entre Flávio e Lula nas pesquisas.
A lógica eleitoral que os aliados de Flávio usam é simples: o escândalo do Banco Master havia prejudicado o senador quando o foco das investigações estava sobre sua própria relação com o banqueiro Daniel Vorcaro — especialmente após o vazamento de mensagens em que Flávio cobrava dinheiro de Vorcaro para financiar o filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Agora, com a Operação Compliance Zero atingindo também o campo governista — especialmente com a busca e apreensão contra Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado —, o escândalo deixa de ser um problema exclusivo da oposição e passa a ser um problema de todos os campos políticos. Num eleitorado que já desconfia generalizadamente dos políticos, essa “equanimidade” do escândalo tende a neutralizar o dano eleitoral sofrido por Flávio ao diluir a percepção de que o problema era exclusivo da direita.
O instituto contratado e os números que ficam guardados
Como noticiou a coluna, a campanha de Flávio Bolsonaro contratou recentemente o Instituto Ibespe para fazer trackings. O primeiro levantamento interno foi entregue pela empresa no fim de semana. Os números exatos não podem ser divulgados.
A contratação do Ibespe — um instituto com histórico de trabalhos para candidatos do campo conservador — e a entrega do primeiro tracking interno no mesmo fim de semana em que o Datafolha apontou estabilidade nas pesquisas públicas cria um quadro de dupla leitura: enquanto as pesquisas públicas mostram estabilidade, os números internos da campanha apontam melhora — o que motiva a comemoração nos bastidores, mesmo sem que os números exatos possam ser verificados externamente.