Governo Lula pede volta de delegados cedidos ao Judiciário em meio ao avanço dos casos Master e INSS sob relatoria de Mendonça

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O governo federal enviou ofícios na quarta-feira (17 de junho) solicitando o retorno de policiais federais cedidos a magistrados. Segundo os jornalistas Roseann Kennedy e Aguirre Talento, do Estadão, os documentos foram assinados pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges.

O contexto: investigações avançam sob relatoria de Mendonça

A medida se dá em meio ao avanço das investigações sobre fraudes no INSS e no Banco Master, conduzidas pelo gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Na equipe que o auxilia está o delegado da Polícia Federal Thiago Marcantonio Ferreira, assessor do magistrado desde o ano passado.

As duas investigações sob responsabilidade de Mendonça avançaram também sobre pessoas próximas ao governo. A apuração dos desvios no INSS citou o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva. Já o caso Master resultou, nesta semana, em uma operação contra o líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

A coincidência temporal entre o pedido de retorno dos delegados cedidos e o momento exato em que as duas investigações mais sensíveis para o governo avançam sobre figuras próximas a Lula — seu filho no caso INSS e o líder do governo no Senado no caso Master — é o elemento central que dá à notícia sua relevância política. Um delegado da Polícia Federal cedido para assessorar diretamente um ministro do STF tem acesso a informações estratégicas sobre o andamento das investigações, prazos, linhas de apuração e decisões em preparação — daí a sensibilidade de qualquer movimento que possa afetar essa estrutura de apoio.

O que é a cessão de delegados e por que ela existe

A cessão de delegados da Polícia Federal para atuar como assessores de ministros do STF é uma prática consolidada no Judiciário brasileiro. Magistrados que relatam inquéritos criminais complexos — como os que envolvem organizações criminosas, fraudes bilionárias ou investigações com múltiplos desdobramentos — frequentemente contam com policiais federais cedidos para auxiliar na análise técnica de materiais investigativos, já que esses profissionais têm formação e experiência específicas em investigação criminal que complementam o trabalho dos assessores jurídicos tradicionais do gabinete. O delegado cedido continua vinculado à carreira da PF, mas passa a atuar sob a estrutura administrativa do tribunal, afastado das funções rotineiras da corporação.

A justificativa oficial de Lula

O presidente Lula afirmou publicamente, em 23 de abril, que determinou o retorno dos delegados. “Eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vai ficar fora aqueles que forem secretários de Estado”, declarou na ocasião. O presidente descreveu os cedidos como servidores que estariam “fingindo trabalhar”.

A justificativa de Lula é de natureza administrativa e funcional: a ideia central é que policiais federais cedidos para funções fora da corporação — incluindo assessorias em tribunais — estariam, na visão do presidente, subutilizados ou afastados de suas funções primárias de investigação e repressão ao crime, justamente num momento em que o país debate o fortalecimento do combate ao crime organizado, com a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA e a pressão por resultados mais efetivos da Polícia Federal.

Por que a medida pode afetar diretamente os casos Master e INSS

Embora a determinação de Lula tenha sido anunciada em abril — antes, portanto, do agravamento mais recente das investigações —, o envio formal dos ofícios em 17 de junho ocorre exatamente na semana em que a Operação Compliance Zero resultou em busca e apreensão contra Jaques Wagner, líder do governo no Senado, e em que as investigações sobre o INSS já haviam atingido o círculo próximo de Lulinha. Isso significa que, caso a determinação seja efetivamente aplicada ao delegado Thiago Marcantonio Ferreira — assessor direto de Mendonça desde o ano passado e, portanto, com profundo conhecimento técnico do andamento dos dois inquéritos mais sensíveis ao governo —, a estrutura de apoio ao ministro relator pode sofrer uma mudança significativa num momento crítico das apurações.

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