
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que uma eventual operação americana em Cuba poderia seguir um modelo semelhante ao adotado recentemente na Venezuela. A declaração foi dada em entrevista ao site Axios, na qual o republicano sugeriu que uma ação contra o regime cubano é uma possibilidade. Ressaltou, contudo, que prefere uma transição pacífica no país caribenho.

O que Trump revelou sobre os planos para Cuba
Segundo Trump, o governo americano já elaborou planos de contingência para diferentes cenários envolvendo Cuba, incluindo a hipótese de colapso do regime comunista. O presidente destacou que as Forças Armadas cubanas perderam grande parte de sua capacidade militar ao longo das últimas décadas e operam com equipamentos herdados da antiga União Soviética.
A menção à fragilidade militar cubana não é casual — ela serve como justificativa implícita para a viabilidade de uma eventual operação americana: um exército equipado com material obsoleto, sem capacidade de resistência moderna, representaria um obstáculo muito menor do que enfrentar uma força armada atualizada e bem equipada.
O precedente venezuelano: a captura de Maduro
As declarações reforçam uma estratégia que vem sendo construída pela Casa Branca desde o início do ano. Depois da operação que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, Trump passou a aumentar a pressão diplomática e econômica sobre Havana. Em ocasiões anteriores, o presidente americano já havia indicado que Cuba poderia estar entre os próximos alvos de sua política externa para o hemisfério ocidental.
A operação que culminou na captura de Maduro é tratada pelo governo Trump como um modelo de sucesso a ser replicado — uma demonstração de que, mesmo regimes autoritários de longa data e resistentes a sanções tradicionais, podem ser derrubados por meio de ação direta quando combinados pressão diplomática, econômica e militar.
A crise interna que torna Cuba vulnerável
De acordo com informações publicadas pelo Axios, a administração Trump avalia que o governo cubano enfrenta uma das maiores crises de sua história. A ilha sofre com escassez de combustível, apagões frequentes, falta de produtos básicos e dificuldades econômicas que vêm ampliando a insatisfação popular. Autoridades americanas acreditam que o regime atravessa um período de fragilidade sem precedentes.
Essa avaliação de fragilidade interna conecta-se diretamente às sanções recentes anunciadas pelos EUA contra a Cupet — a estatal de petróleo cubana — e contra o próprio ditador Miguel Díaz-Canel, medidas que o secretário de Estado Marco Rubio justificou como resposta ao uso da energia como “ferramenta de controle social” pelo regime, num momento em que a população enfrenta apagões que chegam a durar mais de 20 horas por dia.
O papel de Marco Rubio
O endurecimento da política dos Estados Unidos em relação a Cuba tem sido conduzido com forte participação do secretário de Estado, Marco Rubio, defensor histórico de sanções contra o regime cubano. A estratégia combina pressão econômica, isolamento diplomático e preparação militar para uma eventual deterioração da situação interna da ilha.
A atuação de Rubio em relação a Cuba é coerente com sua biografia: como republicano cubano-americano de Miami, filho de exilados que deixaram a ilha após a Revolução de 1959, Rubio construiu boa parte de sua carreira política em torno do combate ao regime cubano — uma pauta que agora ocupa posição central na política externa americana para a região sob sua liderança no Departamento de Estado.
Sem cronograma definido
Apesar do tom firme, Trump não estabeleceu qualquer cronograma para uma eventual intervenção. Na entrevista, afirmou que a situação permanece “flexível” e que os Estados Unidos acompanharão os acontecimentos antes de decidir os próximos passos.
Lula classificado como “pessoa muito volátil”
Na mesma entrevista, Trump foi perguntado sobre a atuação do presidente brasileiro, Lula da Silva, quanto à política internacional. O líder americano classificou o petista de “uma pessoa muito volátil”. Indagado pelo repórter Marc Caputo se não era “fã de Lula”, Trump foi objetivo: “Não é sobre ser fã. Eu não penso nele para ser honesto com você”.
A declaração de Trump foi feita após observar discursos de Lula durante a Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, onde os dois líderes haviam posado juntos na fotografia oficial dos chefes de Estado dias antes — sem confirmação, até então, de qualquer reunião bilateral formal entre os dois.