
A formação do primeiro ciclone extratropical do inverno entrou no radar dos meteorologistas. O Inmet alerta para a formação de um novo sistema de baixa pressão associado a uma forte frente fria que deve atingir o Sul do Brasil a partir da próxima semana. O fenômeno climático deve se desenvolver próximo ao litoral de Santa Catarina e aumentar o risco de tempestades, geadas e ventos intensos em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Quando e onde o ciclone deve se formar
O ciclone extratropical deve começar a se formar entre os dias 23 e 24 de junho, próximo à costa catarinense, segundo informações divulgadas pela Conexão Geoclima. Apesar da proximidade com Florianópolis, os meteorologistas ressaltam que isso não significa que o centro do sistema passará sobre a capital de Santa Catarina. O fenômeno resulta da interação entre massas de ar com características distintas e costuma provocar ventos fortes, agitação marítima e mudanças bruscas no tempo.
Ventos de até 150 km/h em alto-mar
As projeções indicam que o fenômeno poderá provocar chuvas intensas, mar agitado e ventos muito fortes em toda a faixa litorânea do Sul do Brasil. Em alto-mar, as rajadas de vento podem ultrapassar os 150 km/h, conforme as previsões iniciais. Já no litoral, especialmente entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, não estão descartadas rajadas próximas ou superiores aos 100 km/h.
Para dimensionar essa intensidade: 150 km/h é uma velocidade comparável à de um furacão de categoria 1 na escala Saffir-Simpson, usada para classificar ciclones tropicais. Embora um ciclone extratropical tenha estrutura e dinâmica diferentes de um furacão — não possui o “olho” característico e se forma a partir do contraste entre massas de ar, não do calor oceânico —, a intensidade dos ventos pode ser igualmente destrutiva, especialmente para embarcações pesqueiras e estruturas costeiras menos protegidas.
Risco de alagamentos e impactos na rotina da população
Além dos ventos intensos, há possibilidade de ressaca e forte agitação marítima, situação que pode trazer transtornos para atividades pesqueiras e navegação costeira. A nova frente fria surge poucos dias após a atuação de uma massa de ar polar que provocou temperaturas muito baixas no Sul e no Sudeste do país. Com a chegada do novo sistema, as áreas de maior altitude e o interior do Rio Grande do Sul terão aumento no risco de geadas. Meteorologistas alertam que a combinação entre chuva intensa e frio poderá provocar alagamentos em áreas urbanas e impactos na rotina da população.
Chance de neve na Serra Catarinense
Os modelos meteorológicos também passaram a indicar uma nova incursão de ar polar sobre a Região Sul nos próximos dias. Segundo a Conexão Geoclima, além da possibilidade de geadas amplas, há chance de ocorrência de neve nas áreas mais elevadas da Serra Catarinense. As projeções apontam temperaturas muito baixas e presença de umidade, o que pode reforçar uma pequena chance de neve ou chuva congelada.
A combinação de ar muito frio com umidade suficiente é o ingrediente essencial para a formação de neve — fenômeno raro no Brasil, mas que ocorre com alguma regularidade nos pontos mais altos da Serra Catarinense, como São Joaquim e Urupema, justamente nos episódios mais intensos de frio do inverno. A chuva congelada, alternativa mais provável quando as condições não são suficientes para neve completa, ocorre quando gotas de chuva caem através de uma camada de ar abaixo de 0°C e se congelam parcial ou totalmente antes de atingir o solo.
Domingo (21) com temperaturas abaixo de 3°C
No domingo (21), a expectativa é de uma queda significativa nos termômetros em toda a Região Sul. Em algumas localidades, as temperaturas podem ficar abaixo dos 3°C, aumentando o risco de geadas em áreas agrícolas e urbanas.
Incerteza própria das previsões de médio prazo
Os meteorologistas destacam, entretanto, que as projeções ainda podem sofrer alterações nos próximos dias, já que a formação e a intensidade dos sistemas atmosféricos dependem da evolução dos modelos de previsão. Essa ressalva é importante: para sistemas que ainda estão a cinco ou seis dias de distância, os modelos meteorológicos ainda apresentam incertezas relevantes sobre a trajetória exata, a intensidade e o momento preciso de formação — o que significa que tanto a localização do ciclone quanto a magnitude dos ventos e das chuvas podem ser ajustadas nos próximos boletins, à medida que o sistema se aproxima e os modelos ganham precisão.