Porto de Itajaí registra alta de 1.683%

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Pouco mais de um ano após a retomada da gestão federal, o Porto de Itajaí voltou a apresentar números expressivos. Um dos principais indicadores é o crescimento de 1.683% registrado no primeiro semestre de 2025, impulsionado pela retomada das operações e pela recuperação da estrutura do complexo portuário. Estratégico para a logística do Sul do Brasil, o porto atende exportadores e importadores de 21 estados e do Distrito Federal e voltou a receber grandes embarcações após um período de redução das atividades. A recuperação das condições de navegação também permitiu a retomada da movimentação de contêineres.

O que é o Porto de Itajaí e por que ele é estratégico

O Porto de Itajaí é um dos principais terminais portuários do Brasil, localizado no litoral norte de Santa Catarina, às margens do Rio Itajaí-Açu. Ele é o principal porto de movimentação de contêineres do Sul do país e ponto de entrada e saída de mercadorias para toda a região sul e parte do Sudeste. Por ele passam exportações de produtos como frango, suíno, têxteis, papel e celulose, além de importações de eletrônicos, insumos industriais e veículos. A abrangência do porto — atendendo exportadores e importadores de 21 estados e do Distrito Federal — revela que ele transcende os limites regionais de Santa Catarina e opera como um hub logístico de escala nacional.

A dragagem que viabilizou a recuperação

Outro fator apontado para a recuperação do porto foi a dragagem do canal de acesso, realizada em 2025, que restabeleceu as profundidades necessárias para a operação de grandes navios. Além do crescimento de 1.683% no primeiro semestre, a movimentação de cargas aumentou 127% em oito meses.

A dragagem é o processo de remoção do sedimento — areia, lama e outros materiais — que se acumula no fundo do canal de acesso de um porto ao longo do tempo. Sem dragagem periódica, o fundo do canal fica mais raso e os navios maiores — que exigem maior profundidade de calado para navegar — não conseguem acessar o terminal. Esse foi exatamente o problema que havia reduzido as operações do Porto de Itajaí nos anos anteriores: o assoreamento progressivo do canal limitou o porte das embarcações que podiam atracar, reduzindo o volume de operações e afugentando armadores para portos concorrentes. Com a dragagem concluída em 2025, o canal voltou às profundidades necessárias para navios de grande porte — e os resultados apareceram imediatamente nos números de movimentação.

O maior navio cegonha do mundo em Itajaí

Entre as operações de maior destaque está a escala do maior navio do mundo para transporte de veículos, em sua primeira viagem ao Brasil. A operação envolveu cerca de 500 profissionais e 130 carretas-cegonha para o desembarque de aproximadamente 7,3 mil veículos ao longo de quatro dias de trabalho.

O desembarque de 7.300 veículos num único navio em quatro dias de operação é logisticamente extraordinário — e simbolicamente significativo. Ele demonstra que o Porto de Itajaí voltou a ter capacidade operacional e estrutura para receber as operações de maior escala disponíveis no mercado global de transporte de veículos. Não por acaso, o navio trouxe veículos da BYD — montadora chinesa líder em elétricos —, uma das exportadoras com maior volume de importações de veículos ao Brasil nos últimos anos.

O impacto local: estivadores, caminhoneiros e comércio

Segundo o coordenador-geral de Sistema de Segurança Portuária, Diogo Henrique Schimidt, a retomada das atividades teve impacto direto na economia local. “A paralisação afetou principalmente os trabalhadores portuários avulsos, os caminhoneiros e o comércio local”, afirma.

O estivador Jairo Mariano afirma que a volta das operações representa uma oportunidade para os profissionais do setor. “Isso nos dá esperança e mostra o quanto o Porto de Itajaí ainda pode contribuir para Santa Catarina e para o Brasil”, diz.

A fala de Jairo resume o impacto humano por trás dos números: trabalhadores portuários avulsos são contratados conforme a demanda das operações — quando o porto vai bem, há mais trabalho e mais renda; quando vai mal, o desemprego e a insegurança chegam às famílias dos estivadores. A recuperação do porto não é apenas um dado de estatística de comércio exterior — é a volta do sustento para centenas de famílias de Itajaí e da região.

Os números de 2026 confirmam a tendência

Os números da recuperação também aparecem na movimentação de cargas. Depois de fechar 2025 com 4,76 milhões de toneladas transportadas, o Porto de Itajaí manteve o ritmo de crescimento em 2026. Nos quatro primeiros meses do ano, foram movimentadas 1,67 milhão de toneladas, quase 40% a mais do que no mesmo período do ano anterior. Somente em abril, o avanço foi de 57%, com 430,3 mil toneladas. Desde a retomada da gestão federal, o porto já acumula mais de R$ 227 milhões em faturamento, recursos que vêm sendo destinados à infraestrutura e à ampliação da capacidade operacional do complexo.

Os cruzeiros e o turismo: segunda posição no Brasil

Além das cargas, o porto também movimenta o turismo de cruzeiros. O terminal ocupa atualmente a terceira posição na América do Sul em número de passageiros e a segunda no Brasil, atrás apenas do Porto de Santos.

O turismo de cruzeiros é uma das atividades econômicas que mais cresceu no Brasil na última década, e Itajaí consolidou-se como uma das portas de entrada preferidas das grandes linhas marítimas internacionais para o Sul do país. O destaque no ranking sul-americano — terceiro lugar, atrás apenas de Santos no Brasil — revela que o porto não é estratégico apenas para o comércio exterior, mas também para o turismo, gerando receita para hotéis, restaurantes, transportadores e o comércio local durante cada temporada de cruzeiros.

Os investimentos previstos até 2030

A expectativa é de continuidade dos investimentos. Entre 2025 e 2030, estão previstos R$ 844 milhões para modernização e ampliação da infraestrutura do complexo.

O plano de R$ 844 milhões em cinco anos é um dos maiores programas de investimento portuário em andamento no Sul do Brasil. Os recursos serão aplicados em modernização dos berços de atracação, ampliação das áreas de armazenagem, melhoria da infraestrutura de movimentação de contêineres e novas obras de dragagem para manter as condições de acesso para navios cada vez maiores. Se executado nos prazos previstos, o programa posicionará o Porto de Itajaí como um dos terminais mais modernos da América do Sul — exatamente quando o comércio exterior brasileiro, pressionado por tarifas americanas e restrições europeias em outros produtos, mais precisa de portas eficientes e competitivas para o mundo.

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