
Em meio à promessa de reconstrução educacional, o governo federal liderado por Lula enfrentou um revés desconcertante: não atingiu a meta de 60% de crianças alfabetizadas até o 2º ano em 2024, conforme aponta o indicador “Criança Alfabetizada”, divulgado pelo próprio Ministério da Educação. Mais do que um número decepcionante, o índice nacional de 59,2% escancara a falta de eficiência, coordenação e prioridade para com a base da educação pública.
Retrocesso em estados estratégicos
O relatório revela que seis estados apresentaram regressão nos seus indicadores de alfabetização infantil em comparação com 2023. Pior: a maioria deles governada por aliados políticos da atual gestão federal. O caso da Bahia, por exemplo — governada pelo petista Jerônimo Rodrigues — não só não avançou, como caiu de 36,8% para 35,96%. O que esperar de um governo que não consegue avançar no próprio reduto político?
O exemplo mais dramático vem do Rio Grande do Sul, que mergulhou de 63,4% para apenas 44,67%, em meio às enchentes que atingiram o estado. Se desastres naturais são previsíveis, por que não houve articulação nacional emergencial para evitar que uma crise ambiental virasse também uma crise de aprendizagem?
Inércia institucional e falta de foco
O plano Criança Alfabetizada, embora bem-intencionado, mostra-se subdimensionado e desconectado da realidade das salas de aula. O Ministério da Educação se restringe à divulgação de metas e índices, mas onde está a capacitação docente contínua, o material didático padronizado, o apoio técnico às redes municipais? A alfabetização não se resolve com marketing institucional — exige presença, estratégia e investimento real.
Mais grave ainda é perceber que a gestão federal parece satisfeita com a “melhoria” de 3 pontos percentuais em relação a 2023, ignorando que o número ainda está abaixo da própria meta estabelecida. Essa postura revela acomodação, quando o que se espera é uma mobilização nacional.
Alfabetização não pode esperar
A primeira infância é o alicerce de qualquer política educacional sólida. Comprometer essa fase é comprometer o futuro de toda uma geração, especialmente em um país com desigualdades estruturais tão profundas. O governo Lula tem o discurso da inclusão, mas os dados mostram que na prática, o abandono é institucionalizado.
Se o Brasil quer mesmo “voltar a ser feliz”, como apregoa o slogan petista, deve começar alfabetizando suas crianças, e não apenas promovendo slogans vazios enquanto deixa milhões sem o mínimo direito à leitura e escrita.