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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se relator dos processos que discutem a abertura da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master no Congresso Nacional. A concentração dos casos nas mãos de Mendonça ocorre por prevenção — o ministro já conduz o inquérito criminal que investiga supostas fraudes bilionárias praticadas pelo ex-CEO da instituição financeira, Daniel Vorcaro.
“Os fatos citados no pedido da CPMI já são alvo de investigação conduzida por Mendonça — o que, segundo parlamentares, evitaria conflitos entre decisões do STF e uma eventual apuração parlamentar.”
O caminho até a relatoria foi pavimentado por sucessivas ações judiciais. O deputado federal Kim Kataguiri ajuizou um mandado de segurança no STF pedindo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fosse obrigado a instalar a CPMI — e requereu expressamente que o caso fosse remetido a Mendonça. Na petição, o parlamentar lembrou a decisão do STF que forçou a abertura da CPI da Covid-19 e pediu tratamento semelhante para a CPMI do Master.
A pressão cresceu depois que uma sessão conjunta do Congresso, realizada em 30 de abril para apreciação de vetos presidenciais, não incluiu a leitura do requerimento de criação da CPMI. Sem a leitura, a instalação da comissão fica paralisada. Um grupo de senadores de oposição, entre eles Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE) e Damares Alves (Republicanos-DF), também acionou o STF, argumentando que Alcolumbre promove uma “postergação injustificada” do tema.
- Mendonça assumiu a relatoria do inquérito do Banco Master em fevereiro de 2026, após o afastamento do ministro Dias Toffoli
- Toffoli deixou o posto depois que a Polícia Federal informou que havia menções a ele em mensagens encontradas no celular de Vorcaro
- Desde então, Mendonça autorizou aprofundamento das investigações pela PF e determinou sigilo reforçado nas diligências
- O ministro também esteve no centro das decisões sobre a prorrogação da CPMI do INSS, cujo prazo venceria em março de 2026
Apesar de acumular a relatoria dos casos ligados ao Master, Mendonça não tem tratado o pedido de instalação da CPMI como prioridade. Segundo apuração da CartaCapital, o ministro considera que o volume de trabalho no inquérito criminal é mais urgente do que a questão da comissão parlamentar. Tramita ainda no STF outro pedido de instalação, originalmente sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques — cujos laços com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de operação da Polícia Federal, levaram senadores a pedir a sua suspeição no caso.
O requerimento de criação da CPMI, de autoria do senador Eduardo Girão, já acumulava 51 assinaturas — bem acima do quórum mínimo necessário —, mas segue travado na Mesa do Senado. A oposição aposta na via judicial para destravar a investigação parlamentar sobre o escândalo que abalou os sistemas político e financeiro do país.