Dois integrantes da campanha do candidato de direita Abelardo de la Espriella são assassinados a tiros na Colômbia a 15 dias da eleição presidencial

Integrantes da equipe de candidato a presidente da Colômbia são assassinados  – CartaCapital

Coordenador local e assessor foram emboscados por quatro homens armados em motos no departamento de Meta enquanto recolhiam material de propaganda; crime reacende o fantasma da violência política a menos de duas semanas do pleito de 31 de maio; Defensoria Pública alerta para risco à democracia


Dois integrantes da campanha de Abelardo de la Espriella, o candidato favorito da direita para as eleições presidenciais, foram mortos a tiros na sexta-feira em uma zona rural da Colômbia, informaram as autoridades.

Rogers Mauricio Devia e Eder Fabián Cardona, integrantes da equipe de campanha do candidato à Presidência Abelardo de la Espriella (Defensores de la Patria, direita), foram mortos a tiros no departamento de Meta, área rural da região centro-leste da Colômbia, na noite de sexta-feira (15 de maio de 2026). Devia, coordenador local da campanha, e Cardona, assessor dele, foram emboscados por quatro homens armados em motocicletas. As vítimas trafegavam pela região depois de recolherem material de campanha.

A reação de Espriella

“Dois patriotas covardemente assassinados pelo narcoterrorismo enquanto carregavam a bandeira desta campanha e o sonho de uma Colômbia diferente”, disse o candidato. “Eles não eram políticos de gabinete. Eram homens do povo, verdadeiros Tigres, que caminhavam pelas ruas defendendo a democracia, a liberdade e a esperança de milhões de colombianos. Seu único crime foi acreditar na nação e se recusar a se curvar diante da violência”, afirmou Espriella em suas redes sociais.


A posição da Defensoria Pública e do Ministério do Interior

“Os fatos são de extrema gravidade e preocupantes por si só, mas também porque acontecem no contexto eleitoral, razão pela qual afetam gravemente o exercício dos direitos políticos e a participação democrática”, afirmou a Defensoria do Povo em mensagem na rede social X.

O ministro do Interior da Colômbia, Armando Benedetti, disse em sua conta no X que os investigadores não sabem por que Devia foi atacado e afirmou que a polícia havia recentemente impedido um ataque contra um membro da equipe de outra candidata à presidência, Paloma Valencia, na mesma cidade.


O cenário eleitoral: todos os candidatos principais sob ameaça

A segurança se tornou um dos principais temas da disputa presidencial marcada para 31 de maio. O senador de esquerda Iván Cepeda, líder nas pesquisas, e os candidatos de direita Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia relataram ter recebido ameaças de morte. Os três candidatos fazem campanha sob fortes esquemas de segurança em meio ao aumento de atentados e assassinatos no país.

A candidata à vice-presidência de Cepeda, Aida Quilcué, foi sequestrada durante algumas horas em fevereiro por um grupo de rebeldes dissidentes do acordo de paz de 2016 que desarmou a maior parte das Farc.


Meta: reduto das Farc e corredor do narcotráfico

Como um dos redutos históricos das extintas Farc, Meta conta com a presença de rebeldes guerrilheiros e é um dos corredores de tráfico de cocaína no país. Na Colômbia é habitual que os grupos armados, que se financiam com atividades ilegais como o narcotráfico e a extorsão, exerçam uma grande pressão para influenciar as eleições.


O fantasma dos anos 1980 e 1990 ressurge

O caso reacendeu o temor da violência política na Colômbia, país que viu diversos candidatos à presidência serem assassinados por grupos ligados ao narcotráfico entre as décadas de 1980 e 1990. Em agosto do ano passado o senador colombiano Miguel Uribe Turbay, 39, morreu após ser atingido por um disparo na cabeça durante um ato de campanha. Ele era pré-candidato à presidência das eleições de 2026 pelo partido de direita Centro Democrático.

Outra dissidência guerrilheira é suspeita de ter ordenado o assassinato de Miguel Uribe, candidato baleado durante um comício em Bogotá em junho do ano passado.

Com eleições marcadas para 31 de maio e a violência política atingindo colaboradores de campanha a apenas 15 dias do pleito, a Colômbia enfrenta um dos processos eleitorais mais tensos de sua história recente. O assassinato de Rogers Devia e Eder Cardona no departamento de Meta é o mais grave episódio desta campanha até agora — e levanta a questão sobre se o país terá condições de realizar uma eleição minimamente livre num ambiente em que grupos armados seguem impondo terror sobre quem ousa fazer política nas regiões dominadas pelo narcotráfico.

Comentários

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *