Lucro da Caixa despenca 34,4% no 1º trimestre de 2026, pressionado por novas regras do Banco Central

Lucro da Caixa cai 34% no primeiro trimestre com novas regras do BC

Provisões para perdas saltaram 211,5%, chegando a R$ 6,5 bilhões após mudança regulatória que obriga bancos a contabilizar perdas esperadas; apesar do tombo no resultado, carteira de crédito cresceu 11,3% e atingiu R$ 1,41 trilhão, puxada pelo financiamento imobiliário


A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 34,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado, divulgado nesta quinta-feira, 14 de maio, foi impactado pelo forte aumento das provisões para perdas com crédito, que mais do que dobraram no período, em meio às novas regras regulatórias do Banco Central para cobertura de risco de inadimplência.


A causa da queda: uma mudança nas regras, não nos calotes

Segundo o banco, as provisões passaram a considerar perdas esperadas nas operações de crédito, e não apenas perdas efetivamente registradas. A mudança elevou as reservas financeiras da instituição para possíveis calotes e pressionou o resultado trimestral.

O índice de inadimplência acima de 90 dias passou de 2,49% para 3,71% em um ano, alta de 1,22 ponto percentual. Para fazer frente ao risco, a Caixa elevou em 211,5% as provisões para perdas, que somaram R$ 6,51 bilhões.

Em nota, a Caixa afirmou que o aumento das provisões decorre principalmente da transição regulatória determinada pelo BC. Segundo a instituição financeira, os números não devem ser interpretados como deterioração direta da qualidade da carteira de crédito.


Uma recuperação em relação ao trimestre anterior

Apesar da queda expressiva na comparação anual, o resultado mostrou melhora sequencial. Mesmo com a redução expressiva do resultado líquido na comparação anual, o lucro subiu 25,4% sobre o quarto trimestre de 2025, refletindo ganhos de eficiência e expansão da margem financeira.


A carteira de crédito: crescimento robusto

Apesar do tombo no lucro, o volume de crédito concedido seguiu em expansão. A carteira total de crédito avançou 11,3% em 12 meses, alcançando R$ 1,41 trilhão. O impulso veio principalmente do financiamento habitacional, que cresceu 13,9%. No agronegócio, o incremento foi de 2,2%.

No crédito comercial, a carteira de pessoas físicas somou R$ 154,9 bilhões, avanço de 10,4%, puxado pelo consignado, que responde por 73,7% do total, equivalente a R$ 114,2 bilhões. Entre as empresas, o saldo atingiu R$ 114,3 bilhões, crescimento de 8,8%.


A margem financeira e o índice de Basileia

A margem financeira totalizou R$ 18,3 bilhões, incremento anual de 11,8%, impulsionado pelas receitas de crédito. O Índice de Basileia ficou em 15,1%, levemente abaixo dos 15,3% registrados no primeiro trimestre de 2025, mas ainda confortável perante as exigências regulatórias, segundo especialistas.


Banco do Brasil também caiu: os dois gigantes públicos em aperto simultâneo

O resultado da Caixa se soma ao divulgado pelo Banco do Brasil na véspera, que registrou queda de 54% no lucro do primeiro trimestre — pressionado pela inadimplência no agronegócio — e revisou para baixo o guidance anual em até R$ 8 bilhões. Os dois maiores bancos públicos do país apresentam, portanto, resultados trimestrais significativamente abaixo do esperado no mesmo período, por razões distintas mas igualmente estruturais: no BB, a crise no crédito rural; na Caixa, a nova regulação do BC que antecipa o reconhecimento de perdas futuras.

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