
Crise no agronegócio elevou provisões para calotes a R$ 16,8 bilhões e derrubou ROE de 16,7% para apenas 7,3%; banco revisou guidance de R$ 22-26 bilhões para R$ 18-22 bilhões e distribuiu R$ 465 milhões em JCP aos acionistas
Pressionado pelo aumento na inadimplência do crédito rural, o Banco do Brasil registrou forte queda no lucro. Segundo balanço divulgado nesta quarta-feira, 13 de maio, o lucro líquido ajustado da instituição somou R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, recuo de 54% em relação ao mesmo período do ano passado.

A revisão do guidance: piso vira teto
Além da piora nos resultados, o banco também reduziu a previsão de lucro para todo o ano de 2026. A estimativa anterior previa resultado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. Agora, a expectativa caiu para uma faixa entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.
Na prática, o que era o piso do guidance anterior virou o teto do novo — uma redução de até R$ 8 bilhões na projeção anual, que sinaliza que a crise no agronegócio ainda não chegou ao fim.
O agronegócio como epicentro da crise
O principal problema enfrentado pelo banco está no crédito rural. Segundo o BB, o aumento dos atrasos de pagamento entre produtores rurais elevou fortemente o custo do crédito e obrigou a instituição a reservar mais recursos para possíveis calotes. A chamada provisão para perdas, dinheiro separado pelo banco para cobrir empréstimos com risco de calote, subiu para R$ 16,8 bilhões em relação ao primeiro trimestre de 2025.
A rentabilidade em colapso: ROE de 7,3%
Outro indicador que mostrou deterioração foi o retorno sobre patrimônio líquido (ROE), usado pelo mercado para medir a rentabilidade dos bancos. A taxa caiu de 16,7% para 7,3% em 12 meses. O resultado também ficou abaixo do registrado no último trimestre de 2025, quando o índice estava em 12,4%.
O ROE de 7,3% coloca o Banco do Brasil como o banco com menor rentabilidade entre as grandes instituições financeiras brasileiras listadas na bolsa — um contraste marcante com os números de apenas um ano atrás.
Queda sequencial e anual: a dupla pressão
O lucro líquido recorrente chegou a R$ 3,43 bilhões na largada do ano — um recuo de 53,5% em relação ao mesmo período de 2025 e de 40,2% frente ao trimestre imediatamente anterior.
Principal financiador do agronegócio no país, o BB tem visto seu resultado pressionado desde o ano passado pelo setor e recentemente sinalizou que os primeiros meses do ano ainda mostrariam números pressionados.
A distribuição de proventos
O BB também divulgou nesta quarta-feira que aprovou a distribuição de R$ 465,7 milhões em remuneração aos acionistas sob a forma de Juros sobre Capital Próprio (JCP), montante relativo ao primeiro trimestre de 2026. Os valores serão pagos em 11 de junho, tendo como base a posição acionária de 1º de junho.