Em 1 ano de agenda pública, Janja visitou 12 países e 32 cidades brasileiras — e passou mais tempo no exterior que Lula em 2026

Decreto inclui Janja em estrutura do gabinete pessoal de Lula

Levantamento mostra que a primeira-dama acumula 177 dias fora do Brasil desde 2023, 23 a mais que o presidente; oposição critica intensa atuação de quem não ocupa cargo formal no governo


Um ano atrás, o Palácio do Planalto passou a divulgar a agenda da primeira-dama Janja, seguindo orientação da Advocacia-Geral da União sobre a atuação da mulher do presidente Lula. Em 12 meses, Janja registrou compromissos em 12 países, com e sem Lula: Colômbia, China, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos (duas vezes), França (duas vezes), Itália, Indonésia, Malásia, Rússia, Uruguai e Vaticano (duas vezes). No Brasil, deixou Brasília para cumprir agendas em 32 municípios de 13 estados.


Mais dias no exterior que o próprio presidente

Dados compilados pelo Poder360 mostram que, em 2026, Janja já soma 20 dias no exterior, distribuídos em quatro viagens a seis destinos. O número supera os 16 dias que o presidente Lula passou fora do Brasil no mesmo intervalo. Desde a posse, em janeiro de 2023, a primeira-dama acumula 177 dias em solo estrangeiro — 23 a mais que o chefe do Executivo — e já visitou 38 nações em 37 viagens.


Agenda própria e viagens independentes

Em 2026, Janja acompanhou o presidente na Ásia e na Europa, além de realizar uma missão individual de cinco dias nos Estados Unidos para um evento da Organização das Nações Unidas em março.

Janja cumpriu agenda própria em solo espanhol antes do encontro com o marido em Barcelona. Em Valência, a primeira-dama debateu o “ecofeminismo” e, posteriormente, criticou a atuação das empresas de tecnologia em um painel sobre acesso global à Justiça. Ela também visitou o sistema espanhol de acompanhamento de casos de violência de gênero ao lado de ministros locais.


O foco em pautas femininas às vésperas das eleições

A 6 meses das eleições de 2026, as pautas relacionadas a mulheres têm dominado a agenda da primeira-dama. Em 6 meses — de outubro de 2025 a abril de 2026 —, ela participou de 31 compromissos ligados ao tema. Janja foi apontada como uma das principais articuladoras de ações como o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio. O tema é considerado prioritário pelo governo, sobretudo em ano eleitoral: segundo o TSE, 53% do eleitorado brasileiro é composto por mulheres. Z


Passagens compradas em cima da hora

Nas viagens da própria Janja, não há nenhuma que tenha sido comprada com mais de 9 dias de antecedência. A compra em cima da hora ocorreu inclusive em ocasiões nas quais a primeira-dama viajou para eventos internacionais preparados com antecedência, como a 48ª sessão do FIDA, em Roma, e a Cúpula Nutrição para o Crescimento N4G, em Paris.


A base legal que sustenta a atuação

Em 2024, a Advocacia-Geral da União publicou norma reconhecendo que o companheiro ou companheira do presidente pode exercer atividades de caráter simbólico, social, cultural e diplomático. O texto afirma que a função tem “natureza jurídica própria”, o que permite a participação em missões como a da ONU.


A reação da oposição

O deputado federal Nikolas Ferreira criticou a primeira-dama após a divulgação do levantamento sobre as viagens internacionais realizadas por ela desde o início do terceiro mandato do presidente Lula. A atuação é alvo recorrente de críticas por parte da oposição, sobretudo por ela não ocupar cargo formal no governo.

Ao ser questionado sobre as críticas, Lula saiu em defesa da esposa. “Ela vai continuar fazendo o que ela faz, porque a mulher do presidente Lula não nasceu para ser dona de casa, ela vai estar aonde ela quiser, vai falar o que ela quiser, e vai andar para onde ela quiser, é assim que eu acho que é o papel da mulher”, declarou o presidente em coletiva de imprensa.


Lula também viajou bastante

Lula visitou oito países em 2026 e soma 154 dias fora do Brasil desde que assumiu o cargo. O ano de 2023 permanece como o período de maior ausência do presidente, com 62 dias no exterior. Em 2024, a frequência caiu devido a uma cirurgia na cabeça, mas os números voltaram a subir em 2025, quando o petista passou 50 dias fora. No acumulado das 44 viagens presidenciais, Lula passou por 41 nações.

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