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Esse fenômeno migratório entre Maranhão e Santa Catarina é um retrato eloquente das desigualdades regionais e da desconexão entre identidade política e realidade socioeconômica.
O paradoxo migratório entre Maranhão e Santa Catarina: votos à esquerda, destino à direita
Enquanto o Maranhão se mantém como um dos redutos mais fiéis ao Partido dos Trabalhadores (PT) nas urnas, milhares de maranhenses vivem uma realidade marcada por contradições. Entre 2017 e 2022, o estado registrou o segundo maior êxodo populacional do país, com mais de 129 mil pessoas deixando suas cidades em busca de oportunidades melhores. O principal destino? Santa Catarina — um dos estados mais alinhados ao bolsonarismo e à política de direita.
Segundo o Censo 2022 do IBGE, Santa Catarina recebeu mais de 354 mil novos habitantes no mesmo período, muitos deles vindos justamente do Nordeste. A escolha não se dá por afinidade política, mas por necessidade. Os maranhenses buscam ali o que seu estado natal não tem conseguido oferecer: estabilidade, empregos formais, serviços públicos eficientes, segurança e acesso à saúde e educação.
Esse fenômeno escancara um paradoxo: eleitores que sustentam politicamente a esquerda acabam migrando para terras governadas por forças conservadoras, não por convicção ideológica, mas pela urgência de sobrevivência. Trata-se menos de incoerência e mais de um sinal claro da falência de políticas públicas no Maranhão — um território onde a esperança nas urnas não tem correspondência prática na vida cotidiana.
Santa Catarina, por outro lado, é o retrato de uma gestão orientada pela lógica empresarial: baixa taxa de desemprego, alta formalização do mercado de trabalho, forte industrialização e um Estado que, embora mais enxuto, entrega resultados. Cidades como Joinville, Chapecó e Blumenau despontam como polos de atração para brasileiros de diversas origens, consolidando o estado como vitrine do Sul produtivo e organizado.
Especialistas alertam que conter essa migração não é tarefa de limitar deslocamentos, mas de criar ambientes dignos nos locais de origem. Quando o próprio povo precisa deixar sua terra para escapar da precariedade, o debate não é sobre política — é sobre dignidade.
Esse fluxo silencioso, porém expressivo, é uma mensagem urgente: ou o Brasil encara de frente a desigualdade regional e a omissão administrativa, ou continuará vendo sua população votar com esperança — e partir com desilusão.
Falhas estruturais no Maranhão
Apesar de avanços pontuais, o Maranhão ainda enfrenta:
- Baixo IDH: 0,676, o segundo pior do país.
- Rendimento mensal per capita: R$ 1.077, também entre os mais baixos.
- Alta informalidade no trabalho: apenas 35,7% dos ocupados têm vínculo formal.
- Serviços públicos precários, especialmente em saúde, saneamento e educação.
Esses indicadores explicam por que tantos maranhenses buscam oportunidades em estados com melhor infraestrutura e dinamismo econômico.
Atratividade de Santa Catarina
Santa Catarina se tornou o principal destino migratório do Brasil por oferecer:
- Baixo desemprego: 3%, o menor do país.
- Alta formalização: 87,8% dos trabalhadores têm carteira assinada.
- Indústria forte e diversificada, com polos em Joinville, Chapecó e Blumenau.
- Serviços públicos mais eficientes, especialmente em segurança e saúde.
- Marketing territorial ativo, que promove o estado como destino turístico e residencial.
Além disso, cidades como Balneário Camboriú, Itajaí e Florianópolis têm atraído aposentados, trabalhadores remotos e migrantes em busca de qualidade de vida.