Boletim Focus: mercado projeta Selic a 13% e inflação de 4,80% em 2026, acima do teto da meta

Focus: mercado passa a projetar inflação de 4,8% em 2026 e corte menor na  Selic

Pela sexta semana consecutiva, analistas elevaram a projeção do IPCA; expectativas para juros também subiram para 2027, reflexo das tensões no Oriente Médio e da alta do petróleo


Os analistas de mercado que participam do Relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, projetam alta da taxa de juros em 2026 e 2027. Os dados constam do boletim divulgado na segunda-feira (20).

Pela sexta semana consecutiva, os analistas estimam alta da inflação para 2026. A projeção do Focus indica que a Selic deve fechar este ano a 13%, ante a projeção de 12,5% na semana anterior. Para 2027, a projeção é de 11%, ante a estimativa de 10,5% há sete dias.

Inflação acima do teto da meta

A mediana das expectativas para o IPCA chegou a 4,80% em 2026, ante 4,71% registrado uma semana antes. A alta ocorre pela sexta semana seguida e coloca a projeção acima do teto da meta de inflação, fixada em 4,50% para o ano.

Para 2027, a estimativa de inflação também avançou, atingindo 3,99%, em alta pela quarta semana seguida. Já para 2028, a projeção permaneceu estável em 3,60%, enquanto para 2029 segue inalterada em 3,50% há 33 semanas.

O Banco Central, por sua vez, projeta que o IPCA encerre 2026 em 3,9% e que a inflação em 12 meses atinja 3,3% no terceiro trimestre de 2027. A diferença entre as projeções do mercado e da autoridade monetária indica aumento da incerteza no cenário. Desde 2025, a meta de inflação é contínua, com centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Juros seguem em nível contracionista

A Selic está atualmente em 14,75% ao ano. O mercado passou a projetar a taxa básica de juros em 13% para o encerramento de 2026 — elevação de 0,50 ponto percentual em relação à estimativa anterior. Para 2027, a expectativa para os juros também subiu, alcançando 11%, enquanto para 2028 a projeção permanece em 10% ao ano.

PIB e câmbio

A projeção de crescimento do PIB para 2026 subiu pela primeira semana, passando de 1,85% para 1,86%. Para 2027, a estimativa permanece estável em 1,80%, enquanto para 2028 e 2029 o mercado mantém a projeção em 2,00%.

O dólar foi a única variável a registrar queda nas projeções da semana. A mediana para o câmbio ao fim de 2026 recuou para R$ 5,30, ante R$ 5,37 registrado uma semana antes. Para 2027, a expectativa é de R$ 5,35.

O contexto por trás da deterioração

O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços de petróleo. O mercado calibra as expectativas para a trajetória da política monetária em meio à pressão inflacionária esperada com esse cenário geopolítico.

A revisão da Selic para 13% ao ano reflete a combinação de inflação persistente, atividade econômica resiliente e cenário fiscal ainda desafiador. A tríade de revisões — Selic, IPCA e PIB para cima — indica um cenário de maior pressão sobre o Banco Central.

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