
Rio Grande do Sul lidera a safra com 800 mil litros previstos; setor se recupera após dois anos seguidos de frustrações climáticas e aposta na qualidade premium para ampliar espaço no mercado nacional
A produção de azeite de oliva no Brasil deve alcançar a marca histórica de 1 milhão de litros em 2026, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Cerca de 80% desse volume será fabricado no Rio Grande do Sul, que deve produzir em torno de 800 mil litros neste ano.
O resultado ocorre após dois anos de frustrações de safra causadas por condições climáticas adversas, especialmente chuvas e alta umidade que impactaram o volume produzido no país. Em 2023, a produção brasileira de azeite foi de 640 mil litros. O volume caiu para 340 mil litros em 2024 e 240 mil litros em 2025.
Se atingido o volume esperado, a produção de azeite no Brasil terá um crescimento de mais de 300% em relação ao volume de 2025.
O clima fez a diferença
O resultado ocorre após dois anos de frustrações de safra. Neste ciclo, o clima favoreceu o desenvolvimento das oliveiras e permitiu a recuperação da produção. O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, atribuiu o avanço às condições climáticas mais favoráveis ao longo do ciclo produtivo.
“Estamos sendo agraciados por condições climáticas positivas e vamos ter a maior safra da história da olivicultura brasileira. Quem sabe possamos atingir o sonho de produzir 1 milhão de litros de azeite de oliva extra virgem no Brasil”, afirmou Obino Filho.
Qualidade premium como diferencial
Atualmente, a olivicultura brasileira reúne cerca de 550 produtores distribuídos em aproximadamente 200 municípios dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. O Rio Grande do Sul concentra o maior número de produtores e responde pela maior parcela da produção nacional, cerca de 70%.
O presidente da Ibraoliva alerta que os azeites importados que chegam ao país muitas vezes são de qualidade muito baixa e que “na maioria dos casos é extravirgem apenas no rótulo”. Em contraste, o azeite produzido no Brasil é classificado como extra virgem super premium.
Preços ainda pressionados
Mesmo com o aumento na produção, o preço do azeite deve continuar alto no mercado brasileiro, influenciado por fatores econômicos globais e custos locais de produção, como a necessidade de maquinários importados. O mercado global do azeite é influenciado por variações nas taxas de câmbio e demandas externas, neutralizando potenciais reduções de preço decorrentes da maior oferta interna.
A razão maior para os preços não terem um revés rápido e de queda acentuada está na Europa, principal região produtora de azeite do mundo. O continente perdeu volume entre 2023 e 2025, com safras menos robustas na Itália, Portugal, Grécia e Espanha, impactando diretamente os preços cobrados no Brasil, que importa azeite europeu.
Brasil ainda importa quase todo o azeite que consome
De todo o azeite que o país consome, menos de 1% é produzido por sua lavoura. A maior participação no mercado interno poderá se dar pela qualidade do produto, o que permite crescimento de consumo mesmo quando o preço se eleva.
Desde março de 2025, os azeites importados da União Europeia entram no Brasil com alíquota zero. O Ibraoliva afirma que seguirá defendendo a qualidade do azeite de oliva comercializado no país e espera que o governo brasileiro adote políticas de reciprocidade em relação aos produtores europeus.