PSOL tenta barrar lançamento de documentário da Brasil Paralelo gravado em creche pública de São Paulo

Psol tenta censurar documentário da Brasil Paralelo

Filme “Pedagogia do Abandono” foi gravado com autorização da prefeitura na EMEI Patrícia Galvão; PT, sindicatos e parlamentares de esquerda organizam ato e pedem suspensão do lançamento previsto para esta segunda-feira (20)


A gravação de um documentário da produtora Brasil Paralelo dentro da EMEI Patrícia Galvão, na região central de São Paulo, gerou indignação entre pais e educadores. A produção defende teses sobre a educação infantil, incluindo críticas à matrícula obrigatória de crianças a partir dos 4 anos. O lançamento da obra, chamada “Pedagogia do Abandono”, está previsto para esta segunda-feira (20). As famílias afirmam que a filmagem foi autorizada pela gestão Ricardo Nunes (MDB) sem que a direção da escola ou os pais fossem informados sobre o conteúdo da obra.

O documentário e suas teses

No material de divulgação da própria Brasil Paralelo, o documentário apresenta a educação infantil brasileira como um sistema marcado por “baixa qualidade, centralização estatal e disputas ideológicas”.

Trechos de divulgação do documentário mostram que a produção critica a matrícula obrigatória de crianças a partir dos 4 anos de idade — medida incorporada à Constituição Federal em 2009 — e defende que a “escolarização precoce” ocorre para expor as crianças a determinadas ideologias o mais cedo possível.

A autorização da prefeitura e a surpresa da escola

Em uma carta enviada aos pais dos alunos, a direção da EMEI Patrícia Galvão explicou que os espaços da escola foram solicitados pela prefeitura para a realização de uma “obra audiovisual referente à educação infantil”. Não foi informado o teor da produção nem que ela seria conduzida pela Brasil Paralelo.

A prefeitura de São Paulo confirmou ter autorizado as gravações e afirmou que “o procedimento é padrão e foi o mesmo adotado em todas as outras 253 solicitações feitas ao município para essa finalidade até o momento em 2026. Somente no ano passado, foram autorizadas mais de mil gravações.”

A diretora da escola, Sandra Regina Bouças, publicou uma carta em suas redes sociais questionando a produção. “Identificamos que se trata de um projeto para destruir a educação pública, bem como a imagem de Paulo Freire com identificações muito equivocadas. Será que há, nesta proposição, uma tentativa de contribuir com as ideias de que a terceirização/privatização da Educação Infantil seria a solução para uma educação de qualidade?”, escreveu. Na carta, a diretora afirma que soube apenas na véspera das gravações que a produtora seria a Brasil Paralelo.

Ato de protesto e pedido de censura

Professores, pais de alunos, sindicatos e parlamentares realizaram neste sábado (18), na capital paulista, um ato contra a utilização da escola infantil municipal como cenário para a produção do filme. A manifestação, em formato de aula pública, ocorreu na Praça Roosevelt, em frente à EMEI.

A denúncia foi formalizada junto à Secretaria Municipal de Educação e também questiona a atuação da SPCine no processo de autorização das filmagens. A denúncia cita indícios de uso indevido de imagem, eventual captação sem autorização adequada e pedido de suspensão da veiculação do documentário caso irregularidades sejam confirmadas.

PT emite nota de repúdio

O Setorial Municipal de Educação do PT de São Paulo e a bancada de vereadores do partido na Câmara Municipal emitiram nota de repúdio, afirmando que a autorização para uso do espaço foi conduzida “sob a justificativa de uma produção genérica sobre ‘Educação Infantil’, sem que fosse informado o real teor do material a ser produzido. Apenas na véspera das gravações foi revelado que se tratava de conteúdo vinculado à referida produtora, conhecida por suas produções que atacam a educação pública e distorcem princípios pedagógicos consolidados.”

Uma tentativa de censura prévia

O caso revela um padrão recorrente da esquerda brasileira: a tentativa de impedir a circulação de conteúdo conservador antes mesmo de seu lançamento, com base no conteúdo ideológico da produtora, e não em qualquer irregularidade concreta comprovada. A Brasil Paralelo gravou dentro de uma escola pública com autorização legal da prefeitura — o mesmo procedimento aplicado a centenas de outras produções —, e agora enfrenta uma campanha organizada para barrar a exibição do documentário.

Não é a primeira vez. Em 2025, a Brasil Paralelo já havia enfrentado a suspensão judicial de um episódio da série “Investigação Paralela” sobre o caso Maria da Penha, medida classificada pela produtora como “ato grave” e “violação direta à liberdade de imprensa e à livre expressão do pensamento.”

A Brasil Paralelo não havia respondido às solicitações de imprensa até o fechamento desta notícia.

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