PT aprova programa, que propõe juros de 1 dígito e reforma das Forças Armadas — promessas que o governo não cumpriu em 3 anos

G1 > Política - NOTÍCIAS - Deputados comemoram em plenário aniversário do PT

No 8º Congresso do partido, petistas votam diretrizes para a campanha de reeleição de Lula; entre as propostas estão metas econômicas que contradizem a realidade atual e mudanças estruturais nas Forças Armadas


O Partido dos Trabalhadores realizou seu 8º Congresso Nacional entre os dias 23 e 26 de abril de 2026, em Brasília, com o principal objetivo de atualizar o programa partidário, revisar o estatuto interno e definir a tática eleitoral com vistas às eleições de outubro. A coordenação do processo foi liderada pelo deputado federal Jilmar Tatto, com subgrupos de trabalho conduzidos por José Dirceu (eixo de Programa) e Cristiano Silveira (Programa de Governo 2026).

O congresso tem um nome bonito e uma agenda ambiciosa. O problema é que o partido que está no poder há mais de três anos vem ao plenário propor o que deveria ter entregue — mas não entregou.

Juros de 1 dígito: a promessa impossível

Entre as diretrizes aprovadas pelo PT está a defesa de juros de um dígito como meta para um eventual quarto mandato de Lula. A proposta soa como piada de mau gosto para qualquer brasileiro que acompanha o noticiário econômico.

O próprio PT já havia reconhecido, em resolução de novembro de 2025, que “devemos fortalecer a mobilização pela redução dos juros, condição decisiva para sustentar o crescimento, ampliar empregos e aumentar investimentos produtivos e sociais.”

O reconhecimento da necessidade de reduzir os juros, portanto, não é novidade — a novidade é que o governo que critica os juros altos é o mesmo que não conseguiu controlá-los em três anos no poder. A taxa Selic permanece em patamar elevado, e a inflação de alimentos segue corroendo o poder de compra dos brasileiros mais pobres, justamente aqueles que o PT diz representar.

Forças Armadas: o plano que divide o próprio partido

José Dirceu, ex-ministro de Lula e ex-presidente do PT, foi categórico em evento em abril: “O primeiro problema são as Forças Armadas. Não conseguimos fazer uma reforma delas nos governos do PT.” Para ele, a campanha presidencial precisa discutir as Forças Armadas e, se Lula for reeleito, a reforma tem de sair do papel.

Dirceu defende ao menos duas mudanças estruturais: uma no currículo ensinado nas escolas e academias militares, que hoje, segundo ele, promove a autorreprodução da visão sobre “inimigo interno”; e outra no artigo 142 da Constituição, que define o papel das Forças Armadas e que, em sua avaliação, permite interpretações de que os militares podem atuar como poder moderador.

A proposta é politicamente reveladora. O PT admite que não fez a reforma das Forças Armadas quando teve a chance — e agora promete fazê-la em um eventual novo mandato. Em outras palavras: pede mais quatro anos para executar o que não fez nos doze anteriores.

A Guarda Nacional: substituindo as Forças Armadas por ideologia

A Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, já havia divulgado cartilha propondo a criação de uma “Guarda Nacional Civil” para substituir gradualmente as Forças Armadas em operações de Garantia da Lei e da Ordem. O material sugere que “com a Guarda Nacional, gradativamente não será mais necessário o emprego das Forças Armadas” nessas operações. O texto também defende recriar o Ministério da Segurança Pública.

A proposta de substituir as Forças Armadas por uma guarda civil controlada politicamente é o sonho antigo do PT com as instituições militares — e foi apresentada novamente como pauta para o próximo mandato.

Um congresso às vésperas das eleições

O PT está preparando um documento com diretrizes para o programa de governo do presidente Lula, que concorrerá à reeleição em outubro. O subsecretário responsável pela elaboração, Cristiano Silveira, afirmou que o documento ainda estava recebendo sugestões dos integrantes do partido.

O Diretório Nacional do PT já havia aprovado resolução que define a reeleição do presidente Lula como eixo central da tática para 2026, convocando o 8º Congresso como marco da atualização estratégica do partido.

O que se vê, portanto, é um partido que chega ao congresso com as mãos vazias em termos de realizações concretas nas áreas mais sensíveis — juros, custo de vida, segurança institucional — e promete, para o próximo mandato, entregar o que não entregou no atual. Para um eleitorado cada vez mais cético, com 52% reprovando o governo segundo a última Quaest, o receituário petista corre o risco de soar como uma reedição das promessas de 2022, cumpridas apenas no papel.

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