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Levantamento aponta que apenas 9% dos entrevistados confiam “muito” na Corte; disputa entre Moraes e Mendonça sobre condução das investigações do Banco Master é apontada como pano de fundo do agravamento

A desconfiança no Supremo Tribunal Federal (STF) cresceu 10 pontos percentuais no último mês e atingiu 56% do eleitorado brasileiro. O dado consta em levantamento da Quaest divulgado nesta segunda-feira (14/9).
Os números da pesquisa
O levantamento mostrou que 9% dos entrevistados dizem “confiar muito” na Corte. Outros 30% responderam “confiar pouco” no tribunal. Em agosto, o índice dos que afirmavam não confiar no Supremo era de 46%. Naquela ocasião, 18% declaravam confiar muito e 33% confiavam pouco.
O pano de fundo: crise entre Moraes e Mendonça
A variação ocorre em meio ao acirramento da crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, cujo pano de fundo é a condução das investigações sobre o Banco Master. Segundo a pesquisa, 37% dos eleitores consideram que Mendonça age de forma correta no caso, enquanto 16% disseram que Moraes atua corretamente no processo.
Desconfiança cresce em quase todos os grupos políticos
A desconfiança no STF subiu em quase todos os grupos do eleitorado, com particularidades políticas. Entre os entrevistados identificados como “lulistas”, 30% afirmam não confiar na Corte — número que era de 27% em agosto. A principal mudança nesse grupo foi a queda no índice dos que dizem “confiar muito”, que caiu de 41% para 23% em um mês.
No segmento dos eleitores de oposição, a desconfiança no tribunal permanece em patamar elevado: 69% afirmaram “não confiar” no STF neste mês, ante 73% em agosto — a taxa havia chegado a 83% em março. Entre os eleitores considerados “independentes”, 65% dizem não confiar na Corte, ante 50% em agosto.
Desdobramentos na pauta do tribunal
A crise institucional provocou desdobramentos diretos na pauta do tribunal. O STF marcou sessão para esta terça-feira (15/9) para decidir sobre a abertura de investigação contra Moraes, depois de a Polícia Federal revelar diálogos do ministro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça tornou público o relatório policial sobre o caso do Banco Master. Moraes, por sua vez, apresentou pedido à Corte para abrir investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, concentrou a condução do caso na Presidência da Corte.
Repercussão na corrida presidencial
A disputa também atingiu a corrida presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscou distanciamento de Moraes, enquanto o candidato Flávio Bolsonaro (PL) defendeu o afastamento do ministro.
Metodologia
A pesquisa, contratada pela Globo, entrevistou 2.004 pessoas presencialmente entre os dias 10 e 13 de setembro em todo o país. O estudo tem margem de erro de 2 pontos percentuais e índice de confiança de 95%. Está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026.