
Relatório da NOAA também apontou 75% de probabilidade de um evento histórico, com intensidade que pode ser a maior registrada desde 1950; Defesa Civil de Santa Catarina reforça monitoramento

A chance de o El Niño atingir intensidade muito forte entre setembro e dezembro de 2026 subiu para 95%, segundo atualização divulgada nesta quinta-feira (10/9) pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos. Diante da previsão, a Defesa Civil de Santa Catarina reforçou o monitoramento dos possíveis efeitos do fenômeno no Estado. A entidade destaca que, na Região Sul do Brasil, o El Niño costuma estar associado ao aumento da frequência e dos volumes de chuva — o fenômeno vem ganhando força desde o inverno deste ano.
Temperatura do Pacífico já indica El Niño forte
Segundo a NOAA, a temperatura da região do Niño 3.4, área do Oceano Pacífico usada como referência para o monitoramento, ficou em 1,8°C na média de agosto — índice que já caracteriza um El Niño forte. A agência aponta ainda 75% de probabilidade de um evento histórico, com intensidade que pode ser a maior registrada desde 1950.
Como é definida a intensidade do fenômeno
O meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra, explica que a classificação do fenômeno não considera a temperatura registrada em um único dia ou semana: são utilizados índices que consideram a média das anomalias de temperatura do mar ao longo do mês, combinada à avaliação da persistência desse aquecimento. A NOAA também avalia a resposta da atmosfera — para caracterizar o El Niño, o aquecimento do Pacífico precisa estar associado a mudanças consistentes nos ventos, na convecção e na distribuição das chuvas.
Pela escala utilizada para acompanhar o fenômeno, um El Niño é considerado fraco quando a anomalia fica entre 0,5°C e 0,9°C, e moderado entre 1,0°C e 1,4°C. Entre 1,5°C e 1,9°C, a classificação é forte. Acima de 2,0°C, passa a ser considerado muito forte. No boletim semanal publicado pela NOAA na segunda-feira (7/9), a anomalia na região do Niño 3.4 permaneceu em 1,8°C — ainda na faixa de El Niño forte, enquanto as projeções apontam aumento da probabilidade de avanço para a categoria muito forte nos próximos meses.
“Super El Niño” pode chegar nas próximas semanas
De acordo com o gerente de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil catarinense, Frederico de Moraes Rudorff, é muito provável que nas próximas semanas ou no próximo mês o fenômeno já entre na categoria de El Niño muito forte, considerado um “Super El Niño”, como vem sendo divulgado na mídia.
Intensidade não determina automaticamente desastres
Rudorff pondera que a graduação máxima de intensidade do fenômeno não se traduz, de forma linear e automática, na ocorrência de desastres naturais. Segundo ele, as enchentes que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 e o Rio Grande do Sul em 2024 ocorreram sob influência de um El Niño apenas moderado, e foram mais intensas do que as registradas em 2015, quando o fenômeno atingiu uma das maiores intensidades já registradas.
O especialista lembra ainda que o padrão oposto, chamado La Niña, também tem histórico de deflagrar episódios de tempo severo na Região Sul, citando como exemplos as catástrofes climáticas de 2008, as inundações no Alto Vale do Itajaí em 2011 e o ciclone-bomba registrado em 2020 — todos ocorridos sob vigência do La Niña.