
Os candidatos ao governo de Santa Catarina João Rodrigues (PSD) e Jorginho Mello (PL) devem ter os maiores tempos de propaganda eleitoral em rádio e TV durante a campanha para as Eleições 2026. Os dois devem ter uma diferença de tela de apenas quatro segundos, de acordo com uma estimativa baseada no tamanho da bancada partidária feita pelo NSC Total.
A divisão oficial dos tempos de rádio e TV ainda não foi anunciada, o que deve ocorrer somente em uma reunião com os partidos prevista para o dia 20 de agosto. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já divulgou na semana passada as tabelas de representatividade de cada legenda, que indicam o número de deputados de cada sigla e servem de base para o cálculo do tempo a que cada candidato terá direito no horário eleitoral.
Em Santa Catarina, a chapa de João Rodrigues deve ter direito a 3 minutos e 33 segundos, apenas quatro segundos a mais do que a candidatura do governador Jorginho Mello, que busca a reeleição e deve ser contemplado com 3 minutos e 29 segundos, se confirmados os acordos partidários informados à Justiça Eleitoral.

Como é feito o cálculo
A estimativa segue os critérios da legislação eleitoral, que divide 90% do tempo do bloco entre os partidos conforme o número de deputados de cada um, e 10% de forma igualitária entre os partidos que tenham candidato e tenham atingido a cláusula de desempenho na eleição anterior. No caso de Santa Catarina, a possibilidade de João Rodrigues ter alguns segundos a mais do que Jorginho Mello se deve ao fato de que os partidos de sua coligação — PSD, MDB e a federação União Progressista (formada por União Brasil e PP) — somam juntos 187 deputados federais, contra 184 dos nove partidos aliados ao governador.
O candidato Gelson Merisio (PSB) aparece mais abaixo, com 2 minutos e 29 segundos, enquanto Ralf Zimmer (PRD) deve ter direito a apenas 27 segundos de exposição no rádio e na TV. Um período de dois a três segundos deve compor a chamada sobra, que pode ser incorporada a cada dia ao horário eleitoral do último candidato a exibir sua propaganda, veiculada de forma rotativa.
A distribuição do tempo não é oficial e pode sofrer alterações caso algum partido mude os planos até o prazo final de 15 de agosto, ou caso alguma legenda não consiga oficializar o registro necessário às candidaturas junto à Justiça Eleitoral.
Quatro candidatos ficam fora do horário eleitoral
Os outros quatro concorrentes ao governo de SC — Brunno Dias (PCO), Lais Chaud (UP), Marcelo Brigadeiro (Missão) e Marcus Sodré (PSTU) — integram partidos que não atingiram a cláusula de desempenho e, por isso, não têm acesso a tempo de horário eleitoral neste ano.
Estimativa dos tempos de TV dos candidatos ao governo de SC
- João Rodrigues (PSD): 3 minutos e 33 segundos
- Jorginho Mello (PL): 3 minutos e 29 segundos
- Gelson Merisio (PSB): 2 minutos e 29 segundos
- Ralf Zimmer (PRD): 27 segundos
“Chance de falar com outros públicos”
O jornalista, analista político e professor da Universidade Regional de Blumenau (Furb), Clóvis Reis, avalia que o horário eleitoral ainda tem grande importância nas campanhas por expor a imagem dos candidatos na chamada mídia tradicional, que segue sendo o principal meio de comunicação para muitas famílias em Santa Catarina e no país. Segundo ele, a presença social oferecida pelo horário eleitoral pode ser um ativo importante para os candidatos, já que a comunicação em mídias sociais costuma se voltar a um público que já se identifica com a candidatura, dificultando a conversão de eleitores por causa do fenômeno da bolha — ao passo que os meios tradicionais alcançam um público mais diversificado.
O professor também chama atenção para as chamadas inserções — vídeos curtos dos candidatos veiculados ao longo de todo o dia, no meio da programação —, consideradas uma forma mais eficaz de surpreender o eleitor. Mais do que beneficiar estratégias de governo ou de oposição, o espaço do horário eleitoral é visto como uma oportunidade extra para quem não possui cargo eletivo aparecer nesses espaços.
Lula terá 5 minutos e meio de tempo de TV na disputa presidencial
Na corrida pela Presidência da República, o maior tempo de TV deve ficar com a candidatura do presidente Lula (PT). Pela estimativa de divisão baseada nos acordos anunciados nas convenções e que vêm sendo informados à Justiça Eleitoral até o dia 15 deste mês, Lula teria 5 minutos e 31 segundos de horário de televisão, fruto da aliança com dois partidos e duas federações. Flávio Bolsonaro (PL), que até o momento não conseguiu declaração de apoio de outro partido, deve ficar com 4 minutos e 20 segundos. A distribuição oficial também ainda não foi divulgada pelo TSE.
Estimativa dos tempos de TV dos candidatos a presidente
- Lula (PT): 5 minutos e 31 segundos
- Flávio Bolsonaro (PL): 4 minutos e 20 segundos
- Ronaldo Caiado (PSD): 2 minutos e 2 segundos
- Escritor Augusto Cury (Avante): 36 segundos
Como será o horário eleitoral
O horário eleitoral no rádio e na televisão começa no dia 28 de agosto e segue até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno. Os programas são exibidos de segunda a sábado, em dois blocos diários, alternando entre as campanhas federais e estaduais:
- Segundas, quartas e sextas-feiras — Rádio (7h e 12h) e Televisão (13h e 20h30): senador (5 min), deputado estadual/distrital (10 min) e governador (10 min).
- Terças, quintas-feiras e sábados — Rádio (7h e 12h) e Televisão (13h e 20h30): presidente (12min30) e deputado federal (12min30).