Mendonça vai ser o relator de ação de Caiado contra Boulos no STF

André Mendonça será relator de queixa-crime de Caiado contra Boulos no STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi designado relator da queixa-crime apresentada pelo pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, contra o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Na ação, o ex-governador de Goiás acusa o ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva de calúnia, difamação e injúria em razão de declarações feitas nas redes sociais.

O processo foi distribuído a Mendonça na terça-feira (14). A definição da relatoria integra o trâmite processual e não representa manifestação do Supremo sobre o mérito da ação, que segue em análise.

Origem da disputa

A ação de Caiado tem como origem um vídeo publicado por Boulos em maio, no qual o ministro relaciona contratos firmados pelo governo de Goiás com a Fundação Pró-Cerrado a uma investigação sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Na publicação, Boulos sugeriu que Caiado, apesar do discurso de linha dura contra o crime organizado, estaria hoje envolvido em um escândalo ligado ao tema em Goiás, citando que o responsável por uma fundação havia sido preso por lavagem de dinheiro para a facção e que essa mesma fundação mantinha contrato de R$ 141 milhões com o governo estadual.

O ministro fez referência a uma reportagem sobre a prisão do empresário Adair Meira, detido em operação conjunta das Polícias Civis de São Paulo e Goiás, suspeito de utilizar empresas ligadas a ele em esquema de lavagem de dinheiro para o PCC.

Caiado fala em “narrativa falsa”

Na petição apresentada ao STF, a defesa de Caiado sustentou que a investigação citada por Boulos não envolve o ex-governador nem apura irregularidades relacionadas aos contratos entre o governo de Goiás e a Fundação Pró-Cerrado. Segundo os advogados, o ministro teria atribuído a Caiado uma ligação inexistente com o caso, construindo o que classificaram como uma narrativa de cumplicidade criminosa fabricada de forma deliberada, com o propósito de manchar a reputação do pré-candidato às vésperas do processo eleitoral. A defesa também argumentou que as declarações ganharam maior repercussão por Boulos ocupar cargo no primeiro escalão do governo federal.

Reação de Boulos

Depois do ajuizamento da ação, Boulos reagiu na rede social X afirmando que Caiado está “brigando com os fatos”. O ministro disse ainda que, se o pré-candidato pretende contestar as informações divulgadas, deveria processar os veículos de imprensa que noticiaram o caso, assim como a Polícia Civil de São Paulo, responsável pela investigação que resultou na prisão do empresário Adair Meira.

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