
Uma pesquisa do instituto Gerp, divulgada nesta quarta-feira (8 de julho), mostra pela primeira vez Flávio Bolsonaro à frente de Lula num levantamento de segundo turno: o pré-candidato do PL marca 45% das intenções de voto, contra 42% do presidente. A diferença de 3 pontos percentuais está dentro da margem de erro de 2,2 pontos, configurando empate técnico — mas o dado é politicamente relevante porque inverte o padrão de todos os levantamentos anteriores, que mostravam Lula na frente.
A metodologia
A pesquisa entrevistou 2.000 pessoas de 3 a 7 de julho de 2026. O grau de confiança é de 95% e o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-03067/2026. O estudo custou R$ 34.899 e foi pago pela Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo.
O cenário completo: rejeição e primeiro turno
A pesquisa mostra que o presidente Lula é rejeitado por 49% dos eleitores. Flávio aparece na sequência, com 40% de rejeição. A liderança de Flávio no segundo turno convive, portanto, com uma rejeição própria ainda expressiva — o que revela um eleitorado que, apesar de preferir o senador ao presidente num confronto direto, ainda tem reservas sobre ele.
O que mudou: semana de movimentos acumulados
O levantamento foi realizado entre os dias 3 e 6 de julho, período marcado por três fatos de grande repercussão: o racha entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, as investigações envolvendo integrantes do PT da Bahia por supostas ligações com o Banco Master e o aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos em torno da ameaça de um novo tarifaço.
O efeito combinado desses três fatores sobre os números é difícil de isolar individualmente. O racha com Michelle — que publicou um vídeo com críticas ao enteado — poderia prejudicar Flávio junto ao eleitorado evangélico e bolsonarista mais fiel. Mas a contraparte é que as investigações sobre integrantes do PT da Bahia e de Jaques Wagner no caso Master atingiram o campo governista no mesmo período — numa dinâmica de escândalos paralelos que pode ter anulado o efeito negativo do racha familiar.