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A pausa no frio em Santa Catarina que marcou o domingo (5) vai durar pouco. Após um dia com elevação gradual dos termômetros em relação aos dias anteriores — quando geadas recordes cobriram de branco os campos da Serra catarinense e São Joaquim registrou -5,7°C —, uma nova frente fria avança sobre o Sul do Brasil nesta segunda-feira (6) e interrompe rapidamente a breve melhora no tempo.
O domingo de transição
De acordo com o INMET, o frio intenso que dominou o fim de semana começou a perder força ao longo do domingo, com temperatura subindo gradualmente. Ainda assim, o amanhecer no dia 5 manteve condições favoráveis para geada nas áreas mais elevadas da Serra catarinense. Durante a tarde, a temperatura subiu de forma progressiva, oferecendo um alívio pontual após dias consecutivos de frio extremo, ventos polares e geadas generalizadas que cobriram de branco municípios como São Joaquim, Bom Jardim da Serra, Urupema e Rio dos Cedros.
Por que o alívio foi tão curto
O fenômeno é típico do inverno no Sul do Brasil em anos de El Niño: massas de ar polar se sucedem em intervalos cada vez mais curtos, sem deixar tempo para que o tempo se estabilize completamente entre uma entrada e outra. Quando uma massa polar se afasta, o ar que ocupa seu espaço já traz umidade suficiente para alimentar uma nova frente fria — o que explica por que, em 2026, o intervalo entre ondas de frio extremo tem sido de apenas dois a quatro dias.
O que chega nesta segunda: chuva e queda de temperatura
A partir desta segunda-feira (6), o processo de formação de uma nova frente fria favorece o retorno das chuvas ao Sul do Brasil. Em Santa Catarina, a expectativa é de aumento da nebulosidade e ocorrência de chuva em diferentes regiões, além de uma nova redução nas temperaturas. Depois de dias com predomínio de tempo seco em boa parte do estado, a frente fria altera o cenário meteorológico e abre a semana com condições mais instáveis.
Por que as frentes frias se formam tão seguidas em julho
Julho é historicamente o mês mais frio do ano no Sul do Brasil. A razão é a combinação entre o pico do inverno austral — quando os dias são mais curtos e a irradiação solar é mínima — e a maior frequência de incursões de massas de ar polar oriundas da Patagônia e da Antártica. No inverno de 2026, esse padrão se intensifica com a confirmação do El Niño, fenômeno que, no Sul do Brasil, eleva a frequência e a intensidade das frentes frias e aumenta o volume de chuva associado a cada sistema.
O padrão da semana: instável com retorno do frio
A tendência é que o sistema provoque chuva e mantenha o clima mais frio, especialmente entre as madrugadas e o início das manhãs. Mesmo nas regiões onde o sol pode aparecer nas tardes desta semana, o frio continuará presente nas áreas de maior altitude da Serra catarinense, onde as temperaturas permanecem baixas e há possibilidade de geada localizada nas madrugadas mesmo após a passagem da frente.
Para a população que vive em áreas de risco — especialmente nas regiões que ainda estão com solo saturado após os temporais com granizo da semana passada, que deixaram seis municípios em situação de emergência e mais de 400 pessoas desalojadas —, a nova instabilidade desta semana é um sinal de atenção. Solo encharcado reage mais rapidamente a novas chuvas, elevando o risco de deslizamentos e transbordamentos mesmo em episódios de precipitação moderada. A recomendação da Defesa Civil é manter o monitoramento ativo e acompanhar os alertas pelo número 199 ou pelo SMS gratuito enviando o CEP para 40199.