Seis cidades decretam emergência após temporais com granizo em Santa Catarina, 340 residências atingidas e mais de 400 pessoas desalojadas

Cidades de SC decretam situação de emergência após temporais | G1

Seis municípios do norte e serrano de Santa Catarina decretaram situação de emergência por causa das tempestades que castigaram a região entre a noite desta terça-feira (30 de junho) e a madrugada de quarta-feira (1º de julho). Os temporais, acompanhados de queda de granizo com pedras do tamanho de um ovo, deixaram um rastro de destruição em várias cidades catarinenses. Até o momento, 340 residências foram afetadas e mais de 400 pessoas ficaram desalojadas no estado.

Os municípios em situação de emergência

As seis cidades que formalizaram a declaração de emergência perante a Defesa Civil de Santa Catarina são Timbó Grande, Bom Retiro, Schroeder, Guaramirim, Major Vieira e Jaraguá do Sul. A mais afetada é Guaramirim, com 150 residências atingidas e mais de 400 pessoas desabrigadas — sozinha, a cidade concentra a maior parte das vítimas do evento.

Outras 19 cidades registraram ocorrências relacionadas às chuvas sem ainda ter decretado emergência: Araquari, Balneário Barra do Sul, Benedito Novo, Blumenau, Brusque, Caçador, Canoinhas, Correia Pinto, Corupá, Fraiburgo, Gaspar, Ibirama, Itaiópolis, Joinville, José Boiteux, Lages, Massaranduba, Monte Castelo e Presidente Getúlio.

O que causou os estragos: granizo, vento e enchentes simultâneos

As principais ocorrências relacionadas às chuvas envolvem queda de granizo, ventos fortes, destelhamentos, queda de árvores, queda de postes de energia e interdições de vias. Registros compartilhados nas redes sociais mostraram ruas de Jaraguá do Sul completamente cobertas de granizo, com pedras de gelo do tamanho de um ovo acumuladas sobre carros, telhados e calçadas — cenas que ilustram a intensidade do fenômeno.

O granizo é formado quando correntes ascendentes de ar dentro de nuvens de tempestade carregam gotículas de água para altitudes onde a temperatura está abaixo de zero, congelando-as em camadas sucessivas até que seu peso as faça cair. Quanto mais intensa a tempestade e mais forte a corrente de ar ascendente, maiores tendem a ser as pedras — o que explica os registros de granizo de tamanho de ovo observados neste episódio.

O que vem pela frente: chuva até sexta e depois massa de ar frio

Segundo as últimas projeções meteorológicas para o estado, as chuvas devem persistir pelo menos até a manhã desta sexta-feira (3 de julho). Ao longo do dia de sexta, a instabilidade climática deve perder força com a entrada de uma nova massa de ar frio e seco na Região Sul do país — que, por sua vez, trará nova queda de temperatura após os temporais.

As equipes municipais e regionais permanecem em campo com monitoramento de danos e prestação de assistência às famílias atingidas.

O El Niño que já chegou

O episódio confirma o padrão climático que os meteorologistas vinham alertando desde a confirmação oficial do El Niño pela NOAA em junho: um inverno marcado por sucessão de frentes frias intensas, temporais com granizo, ressacas no litoral e oscilações bruscas de temperatura em intervalos curtos. Santa Catarina investiu R$ 1 bilhão em prevenção de desastres — mas o TCE-SC já havia alertado que mais da metade do orçamento não havia sido executado, especialmente nas obras estruturais mais complexas, como barragens de contenção. Com o El Niño esperado para atingir intensidade muito forte entre novembro e janeiro, os temporais desta semana podem ser apenas o início de uma temporada especialmente difícil para as cidades mais vulneráveis do estado.

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