“Não é comunicação, é campanha disfarçada”: Carlos Bolsonaro critica R$ 520 milhões em publicidade liberados por Lula às vésperas das eleições

Lula libera R$ 520 mi para propaganda e supera Bolsonaro - 29/06/2026 -  Política - Folha

O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (30 de junho) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva utiliza dinheiro público para “comprar narrativa” e sustentar uma “campanha disfarçada”. A fala, publicada no X, reage à manchete que informa a liberação de R$ 520 milhões para propaganda institucional antes das eleições.

O valor é mais que o dobro do liberado por Bolsonaro em 2022

O valor liberado pelo governo Lula é superior ao dobro do montante destinado pelo governo Jair Bolsonaro no mesmo período de 2022.

Essa comparação é o núcleo do argumento de Carlos Bolsonaro: ao colocar lado a lado o que o próprio governo de seu pai gastou em publicidade institucional na reta final do mandato anterior — também um ano eleitoral — e o que o governo Lula está gastando agora, ele tenta demonstrar uma escalada incomum no uso de recursos públicos para comunicação institucional, justamente no período em que a publicidade governamental tende a se aproximar perigosamente da linha que separa informação de propaganda eleitoral.

O que é publicidade institucional e por que ela é regulada em ano eleitoral

Publicidade institucional é a propaganda que o governo faz sobre suas próprias ações, programas e políticas públicas — campanhas sobre o calendário de vacinação, sobre o Bolsa Família, sobre obras de infraestrutura, ou sobre qualquer outra iniciativa governamental que o Executivo deseje divulgar à população. Diferente da propaganda eleitoral, que é paga por partidos e candidatos durante o período de campanha, a publicidade institucional é financiada com recursos do orçamento público e, em tese, deve ter caráter exclusivamente informativo, sem qualquer viés de promoção pessoal do governante ou de seu projeto político.

A Lei Eleitoral brasileira impõe restrições rígidas a esse tipo de publicidade em períodos eleitorais — é vedada, por exemplo, a partir de três meses antes do pleito, exceto em casos de grave urgência. É justamente essa fronteira que a crítica de Carlos Bolsonaro tenta explorar: ao classificar a publicidade institucional de Lula como “campanha disfarçada”, ele sugere que o governo estaria usando a prerrogativa de divulgar políticas públicas como uma forma indireta de fazer propaganda eleitoral antecipada, contornando as restrições legais que regem o período pré-eleitoral.

O argumento de Carlos: “estrutura orquestrada” e povo “subestimado”

Na publicação, o vereador do Rio de Janeiro avalia que a administração petista tenta compensar a falta de resultados com investimentos em publicidade. “Quando o governo não entrega resultado, tenta comprar narrativa com dinheiro público. Não é comunicação. É campanha disfarçada”, escreveu.

Carlos também afirmou que haveria uma ação coordenada entre diferentes setores para influenciar a opinião pública. “Notem que há toda uma estrutura orquestrada do sistema jogando unida para então, mais uma vez, acusar os outros do que eles são e fazem”, declarou.

Na sequência, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro sustentou que “não há inocentes nessa história” e acusou a campanha petista de subestimar a população. “Há somente profissionais insistindo que o povo é idiota e não raciocina por si só”, afirmou.

A frase sobre “estrutura orquestrada do sistema” — sem identificar precisamente quem compõe esse sistema — segue um padrão retórico recorrente no campo bolsonarista: a ideia de que existe uma rede coordenada entre governo, mídia tradicional e instituições que age de forma sincronizada contra a oposição. É um argumento que carece de evidências concretas apresentadas na própria publicação, mas que ressoa fortemente entre a base eleitoral mais fiel ao bolsonarismo.

A homenagem ao pai

O vereador encerrou a mensagem com elogios ao ex-presidente. Segundo ele, “Jair Bolsonaro dá sua vida para que o povo continue amadurecendo e enxergando cada dia melhor as verdadeiras estruturas que mandam no país tabelando pela permissão da organização”

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