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A candidata conservadora Keiko Fujimori apareceu à frente na pesquisa de boca de urna divulgada depois do encerramento, neste domingo (7 de junho), da votação do segundo turno das eleições presidenciais do Peru. Segundo o levantamento, ela obteve 50,7% dos votos válidos, contra 49,3% do candidato de esquerda Roberto Sánchez. A diferença é pequena e está dentro da margem de erro da pesquisa, o que mantém o resultado em aberto até a conclusão da apuração oficial, prevista para os próximos dias. O cenário reflete a forte polarização que marcou a campanha eleitoral e dividiu o eleitorado peruano.
Quem é Keiko Fujimori e por que ela é uma figura central da política peruana
Keiko Fujimori, de 51 anos, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 — período marcado por crescimento econômico, combate ao terrorismo do Sendero Luminoso, mas também por graves violações de direitos humanos e corrupção, pelo que foi condenado e preso. Keiko herdou a liderança do fujimorismo, movimento político de centro-direita com forte apelo popular nas regiões mais pobres do país, e se tornou o nome mais persistente da direita peruana. Esta é sua quarta disputa presidencial: perdeu os segundos turnos de 2011 e 2016, e em 2021 foi derrotada por Pedro Castillo numa das eleições mais polarizadas da história do país, com diferença de menos de 1 ponto percentual.
Ao longo da campanha, ela concentrou seu discurso no combate à criminalidade, no fortalecimento da segurança pública e na defesa de políticas econômicas favoráveis ao setor privado.
Quem é Roberto Sánchez e o que ele representa
Roberto Sánchez defendeu uma agenda de esquerda voltada para a ampliação de programas sociais, reformas institucionais e maior presença do Estado em áreas consideradas estratégicas. Sua candidatura recebeu apoio de setores ligados ao ex-presidente Pedro Castillo.
A associação com Castillo é politicamente ambígua: o ex-presidente conquistou o poder em 2021 representando os mais pobres do interior do Peru, mas seu governo foi marcado por instabilidade, acusações de corrupção e tentativa de golpe — o que levou ao seu impeachment e prisão em dezembro de 2022. O apoio do campo castillista a Sánchez é um ativo junto ao eleitorado mais pobre e rural, mas também é um peso junto ao eleitorado urbano que associa esse campo ao fracasso do governo anterior.