“Guerra espiritual”: Em Marcha para Jesus, Flávio Bolsonaro fala em expulsar “o mal do governo”

Na Marcha Para Jesus, Flávio Bolsonaro fala em “expulsar o mal do governo”  e reforça discurso religioso

Na 34ª Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira (4 de junho) em São Paulo, o pré-candidato Flávio Bolsonaro subiu ao trio elétrico e fez um grande discurso, usando a linguagem religiosa da “guerra espiritual” para apresentar a disputa presidencial de outubro como uma batalha entre o bem e o mal.

O discurso de Flávio: “O mal será expulso do governo”

“Vamos orar pelo nosso Brasil. Esta guerra é espiritual, e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo deste Brasil este ano. Em nome do nosso Senhor Jesus, amém”, disse Flávio aos fiéis.

Em entrevista aos organizadores da marcha, antes do discurso principal, o senador aprofundou o tom e trouxe uma nota pessoal ao evento. “Às vezes, a gente acorda com o coração meio apertado, tem que ajoelhar e pedir a Deus para dar aquela força e alegria no coração. E hoje é um dia que está explodindo aqui. Queria muito que meu pai estivesse aqui presente, mas vamos lutar por ele”, disse o senador, em cima de um trio elétrico.

O que é a Marcha para Jesus e por que ela importa eleitoralmente

A Marcha para Jesus é o maior evento evangélico do Brasil e um dos maiores do mundo. Organizado pelo apóstolo Estevam Hernandes, líder da Igreja Renascer em Cristo, o evento reúne anualmente entre 1,5 e 3 milhões de pessoas nas ruas de São Paulo. Sua importância política é enorme: o eleitorado evangélico representa aproximadamente 30% do total de eleitores brasileiros — cerca de 50 milhões de pessoas — e tem se mostrado crescentemente coeso e mobilizável pelos candidatos que conseguem estabelecer conexão emocional e espiritual com esse público. Historicamente, a Marcha para Jesus funcionou como um termômetro do alinhamento entre o campo político conservador e o eleitorado evangélico. Para Flávio Bolsonaro, estrear no evento na sua primeira participação com um discurso de guerra espiritual contra o governo é uma declaração de que ele quer ser o candidato dos evangélicos em 2026.

As autoridades presentes e o reencontro com Tarcísio

A atual edição da Marcha Para Jesus reuniu autoridades como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), além de diversos parlamentares. Também estiveram presentes o ministro André Mendonça, do STF, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que recentemente teve sua indicação ao Supremo rejeitada pelo Senado.

A 34ª Marcha para Jesus marca o “reencontro” público entre Tarcísio e Flávio. Nas últimas semanas, Tarcísio manteve “distanciamento estratégico” do senador, desde que veio à tona o áudio em que Flávio cobra dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pelo escândalo do Banco Master.

O reaparecimento conjunto dos dois num evento de tamanha visibilidade é lido pelos analistas políticos como um sinal de que a crise do Banco Master — que havia criado tensão entre as duas figuras centrais da direita paulista — está sendo administrada, ao menos publicamente. Tarcísio é o governador do estado mais populoso do país, aliado estratégico indispensável para qualquer candidato que queira vencer em São Paulo, e sua presença ao lado de Flávio na Marcha para Jesus representa um gesto de coesão do campo conservador num momento em que a oposição precisava de unidade.

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