
O senador Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo nas redes sociais nesta quarta-feira (3 de junho) em que criticou o presidente Lula por declarações direcionadas ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em meio às discussões sobre possíveis tarifas americanas contra produtos brasileiros. Na gravação, Flávio afirmou que Lula estaria prejudicando as negociações diplomáticas entre os dois países ao fazer críticas às autoridades americanas responsáveis pelas decisões comerciais do governo dos Estados Unidos.
O argumento central de Flávio
“Agora, você acha que xingar a pessoa com quem você vai ter que negociar ajuda ou atrapalha o Brasil? É claro que só atrapalha”, declarou o senador.
A crítica se refere ao tom adotado por Lula nas declarações públicas sobre o tarifaço americano. Enquanto o pré-candidato tenta se posicionar como o interlocutor legítimo com Washington — tendo se reunido com Trump, Rubio e o vice-presidente Vance em Washington na semana anterior —, o presidente da República reagiu às tarifas com declarações duras, chamando Flávio de “traidor da pátria” e “vendilhão” e acusando o campo bolsonarista de ter contribuído para o agravamento das relações bilaterais. Para Flávio, esse tom provoca o efeito oposto ao desejado.
O parlamentar também acusou o presidente de agir por interesse político ao elevar o tom contra o governo americano e afirmou que o petista não estaria preocupado com os impactos que eventualmente poderiam causar às empresas brasileiras. “O Lula é a única pessoa no Brasil que quer essas tarifas. Está na cara. Se não quisesse, agiria diferente”, afirmou.
A carta a Rubio e a promessa de evitar as tarifas
O senador disse que invejou uma carta ao secretário de Estado americano reforçando o pedido para que não sejam aplicadas tarifas contra produtos do Brasil e defendeu que a solução para o impasse passe pelo diálogo diplomático. “Se depender de mim, não vai ter tarifa nenhuma. A gente está buscando o caminho do diálogo e da diplomacia”, afirmou.
Na carta, Flávio demonstra preocupação com os possíveis efeitos econômicos da proposta e solicita que Washington reavalie a cobrança. Para embasar seu pedido, ele descreve um cenário de dificuldades na economia brasileira, mencionando o crescimento da dívida pública, o aumento da inadimplência e a alta nos pedidos de recuperação judicial. “O Brasil vive um grave processo de flexibilidade fiscal e econômica”, escreveu o senador.
O que são as tarifas propostas e por que elas importam
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, recomendou a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre as importações brasileiras com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que permite retaliar países com práticas comerciais consideradas injustas. Entre os alvos da investigação estão o Pix, a política de propriedade intelectual, o etanol e questões relacionadas ao desmatamento. A medida ainda passou por audiências públicas — a primeira marcada para 6 de julho — antes de uma eventual decisão final de Trump. As tarifas, se inovadoras, podem aumentar os produtos brasileiros no mercado americano e reduzir as exportações do país, afetando setores como agronegócio, manufaturados e commodities.
A gratidão pela classificação das facções
No texto, Flávio também agradeceu a recepção recebida durante sua passagem por Washington e elogiou a decisão do governo norte-americano de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas. “Estou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas”, afirmou. Para o senador, a medida representa um avanço importante no combate ao crime organizado e na proteção dos cidadãos do continente.
A aposta eleitoral dentro da carta diplomática
Um dos elementos mais exigentes da carta de Flávio a Rubio é a inclusão explícita de uma declaração de intenção eleitoral dentro de um documento de natureza diplomática. Flávio declarou acreditar em sua vitória na disputa presidencial e afirmou que, caso chegue ao Palácio do Planalto, pretende ampliar a cooperação econômica entre os dois países. “Estou confiante de que serei eleito presidente do Brasil em outubro”, escreveu. Segundo o senador, um eventual governo sob sua liderança buscaria negociar um amplo acordo de comércio e investimentos com os Estados Unidos, fundamentado em princípios de livre mercado, cooperação estratégica e respeito mútuo.
A passagem é politicamente significativa por duas razões. A primeira é o que ela representa simbolicamente: um pré-candidato que usa uma carta a um secretário de Estado estrangeiro para comunicar sua confiança na vitória eleitoral — numa sinalização clara de que a relação com Washington é parte central de sua plataforma presidencial. A segunda é o que ela implica em termos de política comercial: ao prometer negociar um “amplo acordo de comércio” com os EUA caso eleito, Flávio está basicamente dizendo ao governo Trump que vale a pena esperar — que um eventual governo Bolsonaro seria um parceiro muito mais favorável do que o atual governo Lula.