Direita surpreende e vence primeiro turno na Colômbia; segundo turno será em 21 de junho contra aliado de Petro

Espriella lidera e vai ao segundo turno contra Cepeda na Colômbia

O advogado conservador Abelardo de la Espriella venceu o primeiro turno das eleições presidenciais da Colômbia neste domingo (31 de maio) e disputará o segundo turno contra o senador Iván Cepeda, aliado político do presidente esquerdista Gustavo Petro. A nova votação ocorrerá em 21 de junho. CartaCapital

Com 99,62% das urnas apuradas, Espriella recebeu 10,3 milhões de votos, o equivalente a 43,73% do total. Cepeda obteve 9,6 milhões, ou 40,91%. A senadora Paloma Valencia terminou em terceiro lugar, com 1,6 milhão de votos.

Quem é Abelardo de la Espriella

Abelardo de la Espriella é um advogado conservador sem experiência política prévia em cargos executivos, o que representa tanto um trunfo quanto uma vulnerabilidade na sua campanha. Sua trajetória como advogado foi marcada por casos controversos: Espriella é criticado por sua falta de experiência política e por seu passado como advogado de figuras controversas, como o fraudador condenado David Murcia Guzmán e Alex Saab, aliado de Nicolás Maduro. Apesar das críticas, seu discurso de combate ao crime, ao narcotráfico e de aproximação com os Estados Unidos conquistou o eleitorado mais amplo do que esperavam as pesquisas.

A vinculação ideológica de Espriella com líderes de direita, como o presidente americano Donald Trump, acontece em meio a uma tendência de desejo do povo colombiano de se aproximar dos EUA. Pesquisas indicam que 73% dos colombianos acreditam que seu país deveria se aproximar dos Estados Unidos, mas apenas 25% descrevem as atuais relações bilaterais como “positivas”.

Quem é Iván Cepeda

Iván Cepeda é senador e filho do também senador colombiano de esquerda Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 “por agentes estatais em cumplicidade com paramilitares”. Cepeda viveu no exílio entre 1998 e 2004 devido a ameaças por sua atuação como defensor dos direitos humanos. Foi deputado federal por Bogotá e senador por três vezes até 2026.

Ao longo da campanha, o esquerdista Cepeda defendeu a continuidade do atual projeto político colombiano, sob comando de Petro. Entre suas propostas está uma reforma agrária voltada ao fortalecimento da produção agrícola legal. Sua candidata a vice-presidente é Aida Marina Quilcué Vivas, senadora e liderança indígena.

Cepeda tem sido criticado por sua recusa em participar de debates com outros candidatos e por afirmar que sua luta política é exclusivamente contra a direita, que ele acredita ser liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe Vélez. Cepeda e Uribe estiveram envolvidos em uma disputa judicial em um caso de falso testemunho, pelo qual Uribe foi inicialmente condenado e posteriormente absolvido.

Por que o resultado surpreendeu

O resultado contrariou as pesquisas de intenção de voto que, ao longo de toda a campanha, apontavam Cepeda como o candidato mais votado no primeiro turno, com vantagem consistente sobre os demais. A vitória de Espriella na liderança do primeiro turno representa uma reviravolta significativa — e sinaliza que o eleitorado colombiano pode estar menos inclinado do que se imaginava a dar continuidade ao projeto político de Petro.

A direitista Paloma Valencia, do partido Centro Democrático e apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, tinha 420.151 votos, muito abaixo do que previam as pesquisas. O quarto colocado era Sergio Fajardo, com 250.554 votos, e em quinto aparecia a surpresa do dia, o ultradireitista Santiago Botero, com 67.228 votos.

O que está em jogo no segundo turno

A nova votação definirá o sucessor do presidente Gustavo Petro e deve aprofundar a polarização política no país. O resultado do primeiro turno indica uma disputa acirrada entre dois projetos distintos para a Colômbia, colocando em confronto propostas de direita e de esquerda para os próximos quatro anos. Considerada decisiva para o futuro político e econômico colombiano, a eleição tem como temas centrais o debate sobre segurança pública, combate ao narcotráfico, reformas sociais e crescimento econômico, pautas que devem dominar a campanha até a definição do segundo turno.

O caminho até 21 de junho passa necessariamente pela questão do voto dos derrotados no primeiro turno. Paloma Valencia, que ficou em terceiro com 1,6 milhão de votos, representa uma fatia do eleitorado de direita que pode migrar para Espriella — o que, se confirmado, tornaria o resultado do segundo turno ainda mais favorável ao conservador. Já Fajardo e outros candidatos de centro podem dividir seus apoiadores entre os dois finalistas, tornando o cenário imprevisível o suficiente para manter a tensão até o último momento. A eleição colombiana tem ainda impacto regional: caso Espriella vença o segundo turno, a Colômbia se somará ao Brasil, à Argentina e ao Equador no movimento de virada à direita que tem caracterizado a América Latina nos últimos anos.

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