PCC e Comando Vermelho classificados como terroristas pelos EUA: o que muda na prática

EUA veem PCC e CV como ameaças; veja outros grupos considerados terroristas

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28 de maio de 2026) que classificará o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. As duas facções criaram as designações de “Terroristas Globais Especialmente Designados” e “Organizações Terroristas Estrangeiras”. A classificação entra em vigor em 5 de junho.

As duas avaliações e a diferença entre elas

As duas classificações geram congelamento de ativos, mas possuem diferenças entre si. Com a classificação de “Terroristas Globais Especialmente Designados”, todos os bens e interesses em bens de indivíduos ou entidades que estejam ou entrem nos EUA, ou que estejam na posse ou sob o controle de pessoas americanas, ficam bloqueados. Qualquer transação ou negociação por pessoas dos EUA ou dentro dos Estados Unidos em bens bloqueados é proibida, incluindo fazer ou receber qualquer contribuição de fundos, bens ou serviços em benefício de indivíduos ou entidades afetadas.

Com a classificação de Organização Terrorista Estrangeira, torna-se ilegal para qualquer pessoa nos Estados Unidos ou sujeita à jurisdição americana, fornecendo, deliberadamente, material de apoio ou recursos ao grupo designado. Além disso, membros ou representantes estrangeiros de uma Organização Terrorista Estrangeira ficam proibidos de entrar nos Estados Unidos e, em certas situações, podem ser deportados. Instituições financeiras dos EUA que tomem conhecimento de que controlam fundos nos quais uma organização terrorista ou seu agente tenha interesse devem manter a posse ou o controle dos fundos e reportá-los ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA.

O que muda na prática para o PCC e o CV

Na prática, as autoridades americanas podem bloquear contas e ativos, restringir movimentações financeiras, impedir o acesso ao sistema bancário americano, aplicar sanções internacionais e punir pessoas e empresas que mantêm relações comerciais com membros desses grupos. Isso representa um golpe climático significativo nas finanças das duas facções: tanto o PCC quanto o CV lavaram recursos por meio do sistema financeiro internacional, utilizando criptomoedas, doleiros e contas em países com menor regulação. Com a nova designação, qualquer banco americano que detecte transações vinculadas a grupos é obrigado a bloquear os recursos e reportar ao Tesouro — o que pode estreitar consideravelmente os canais de circulação de dinheiro das organizações.

Os especialistas, no entanto, participaram de uma escalada militar ou retaliações mais duras contra o Brasil. A classificação como organização terrorista estrangeira não autoriza, por si só, intervenções militares em território de países soberanos. O instrumento é principalmente financeiro, diplomático e de inteligência — não militar.

O papel de Flávio Bolsonaro e a resposta do governo brasileiro

Em março deste ano, o governo brasileiro havia rejeitado um pedido do próprio Departamento de Estado Americano para classificar o PCC e o CV como organizações terroristas. O secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubo, confirmou à Reuters que uma solicitação foi feita durante uma reunião em Brasília com sete autoridades do governo Trump e oito autoridades brasileiras.

A postura mudou radicalmente após a visita de Flávio Bolsonaro a Washington. O escritório do senador afirmou que ele entregou ao governo americano um dossiê com informações de inteligência vinculando tanto o PCC quanto o CV a atos terroristas. Menos de 48 horas depois da reunião de Flávio com Trump e Rubio, o Departamento de Estado formalizou o anúncio — uma sequência que a oposição brasileira celebra como resultado direto da articulação política do pré-candidato e que o governo Lula interpreta como interferência externa nos assuntos internos do país

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