
O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcou para os Estados Unidos na noite do domingo (24 de maio) para um provável encontro com o presidente americano, Donald Trump. A reunião está prevista para a terça-feira (26 de maio). Segundo aliados de Flávio, o convite partiu da Casa Branca. Ainda não há, contudo, confirmação oficial do compromisso pelo governo americano.
Além do encontro com Trump, Flávio deve ter reuniões com outros membros do governo americano. Segundo aliados, também estão previstas conversas com o alto escalão do Departamento de Estado.
Como foi o embarque
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro embarcou para Washington em voo direto procedente de Guarulhos e planeja permanecer na capital norte-americana até a quarta-feira (27 de maio). Indagado no aeroporto de São Paulo sobre a expectativa para o encontro com Trump, Flávio recusou se pronunciar: “Sem entrevista, esquece”, declarou o senador.
Por que esse encontro é politicamente relevante
O possível encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump carrega um peso simbólico e estratégico considerável para a política brasileira. Flávio é o principal pré-candidato da direita à Presidência da República nas eleições de 2026, e uma reunião formal com o presidente dos Estados Unidos funcionaria como uma chancela internacional de peso — o tipo de imagem que, na política contemporânea, vale mais do que qualquer discurso de campanha. Para o campo bolsonarista, a proximidade com Trump representa uma sinalização de alinhamento ideológico e de acesso às esferas do poder global.
Do ponto de vista diplomático, o momento é delicado. As relações entre Brasil e Estados Unidos estão tensas desde o julgamento de Jair Bolsonaro e as sanções impostas pela administração Trump a autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes. A visita de Flávio ocorre exatamente nesse contexto, em que a família Bolsonaro busca consolidar laços com o governo americano como contrapeso ao processo político em curso no Brasil — e como vitrine para o eleitorado doméstico.
O contexto: a relação entre os Bolsonaro e Trump
A família Bolsonaro e Donald Trump mantêm uma relação de afinidade pública desde o primeiro mandato do americano, construída sobre bases ideológicas similares — nacionalismo, crítica a organismos multilaterais, ceticismo em relação à imprensa tradicional e discurso de combate ao que chamam de “esquerda global”. Jair Bolsonaro foi um dos líderes estrangeiros que mais abertamente defendeu Trump durante as eleições americanas, e o ex-presidente brasileiro chegou a estar nos Estados Unidos quando Trump foi empossado para o segundo mandato. A visita de Flávio a Washington representa a continuidade dessa articulação, agora com o filho assumindo o papel de interlocutor da direita brasileira junto ao governo americano às vésperas de uma disputa eleitoral que promete ser a mais polarizada da história recente do país.
O Departamento de Estado na pauta
A previsão de reuniões com o alto escalão do Departamento de Estado adiciona outra camada à viagem. O Departamento de Estado é a pasta responsável pela política externa dos Estados Unidos e é justamente o órgão que administra questões como a aplicação de sanções, vistos e relações bilaterais. Conversas com esse nível do governo americano sugerem que a agenda de Flávio vai além de uma visita de cortesia a Trump e pode incluir temas concretos relacionados às tensões diplomáticas entre os dois países — como as sanções impostas a Moraes e a outros ministros do STF, as investigações sobre a tentativa de golpe no Brasil e a situação de Eduardo Bolsonaro, cassado e exilado nos EUA.