
A SpaceX fez nesta quarta-feira (20) o pedido para uma oferta pública inicial (IPO) trilionária na bolsa norte-americana Nasdaq, com ambições que vão da construção de centrais de processamento de dados em órbita da Terra à colonização de Marte. O banco brasileiro BTG Pactual está entre os coordenadores da oferta.
O que é um IPO?
Um IPO (Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial) é o processo pelo qual uma empresa de capital fechado — isto é, com ações pertencentes a donos privados — abre seu capital e passa a vender ações ao público geral na bolsa de valores. É uma das formas mais importantes de uma empresa captar recursos no mercado financeiro, ao mesmo tempo em que permite que investidores comuns, e não apenas fundos e grandes players privados, se tornem sócios do negócio. Após o IPO, as ações da empresa passam a ser negociadas livremente na bolsa, com preço determinado pela oferta e demanda do mercado.
O maior IPO da história
O IPO pode se tornar o primeiro da história na casa do trilhão de dólares no mercado norte-americano e abrir caminho para uma série de ofertas de ações monumentais nos próximos meses, entre elas possíveis operações dos gigantes de inteligência artificial OpenAI e Anthropic. Um IPO bem-sucedido pode avaliar a empresa em um valor recorde de US$ 1,75 trilhão, o que colocaria Musk no caminho para se tornar o primeiro trilionário da história.
A empresa pretende listar suas ações em 12 de junho, com início do roadshow para investidores em 4 de junho e a precificação da oferta prevista para 11 de junho. Ao todo, 23 instituições participam do IPO da SpaceX, incluindo Goldman Sachs, Morgan Stanley, BofA, Citigroup e JPMorgan. O BTG Pactual é o único banco brasileiro listado na operação. A empresa deve ser listada na Nasdaq e na Nasdaq Texas sob o código “SPCX”.
Controle nas mãos de Musk
A SpaceX adotará uma estrutura de ações de duas classes: os papéis da Classe B terão 10 votos cada, concentrando o controle em Musk e em alguns executivos, enquanto as ações da Classe A, vendidas ao público, terão direito a um voto cada. Musk manterá 85,1% do poder de voto combinado da SpaceX. A empresa também implementou uma série de mecanismos que limitam os direitos dos acionistas, incluindo a obrigatoriedade de resolver litígios por arbitragem e proteções que tornam difícil a demissão de Musk por terceiros.
Negócios e planos futuros
Desde sua fundação, em 2002, a SpaceX se tornou a maior empresa espacial do mundo, lançando milhares de satélites de internet Starlink. O uso pioneiro de foguetes reutilizáveis transformou a economia do espaço e forçou concorrentes como a Blue Origin, do fundador da Amazon, Jeff Bezos, a correr atrás do prejuízo. A principal fonte de receita da SpaceX é a Starlink, hoje a maior operadora de satélites do mundo, com cerca de 10 mil satélites oferecendo internet de banda larga para consumidores, governos e clientes corporativos.
Entre os planos descritos no prospecto estão a construção de infraestrutura de manufatura na Lua e em Marte. A empresa também cita projetos para capturar asteroides próximos da Terra e utilizá-los em operações de mineração de metais e outros recursos considerados críticos. Na área de inteligência artificial, a companhia pretende lançar a primeira unidade modular orbital de processamento de dados de IA até o fim da década e começar a monetizar essa infraestrutura por meio da venda de software de IA e capacidade de processamento. A empresa afirmou mirar um mercado potencial total de US$ 28,5 trilhões em seus diversos negócios.
Situação financeira e contexto
A SpaceX reportou receita de US$ 4,69 bilhões nos três meses encerrados em 31 de março, ante US$ 4,07 bilhões no mesmo período do ano anterior. O prejuízo foi de US$ 1,27 por ação, comparado a um prejuízo de US$ 0,18 por ação um ano antes. Os números evidenciam que a SpaceX depende hoje da receita impulsionada pela Starlink, mas a companhia vê seu futuro concentrado em IA e em operações de infraestrutura relacionadas — áreas que, por enquanto, ainda não são lucrativas.
A SpaceX se fundiu com a startup de IA de Musk, a xAI, em uma operação que avaliou a empresa de foguetes em US$ 1 trilhão e a desenvolvedora do chatbot Grok em US$ 250 bilhões. A divulgação do pedido de IPO ocorre em uma semana crítica para a companhia, que se prepara para lançar um voo de teste da Starship, sua nave espacial de última geração, cujo sucesso é fundamental para os planos de missões lunares e em Marte.