Advogado Eugênio Aragão abandona defesa do ex-presidente do BRB em meio a negociações de delação premiada

Advogado deixa defesa de ex-presidente do BRB durante negociações de delação  premiada

Em nota, Aragão afirma que só atua em casos com “provas consistentes e inequívocas” e que a saída ocorre justamente quando Paulo Henrique Costa avançava em tratativas de colaboração com a PF e a PGR; esta é a segunda troca de defesa do ex-chefe do banco público de Brasília desde sua prisão


Em meio a tratativas de um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), sofre nova troca em sua defesa. O advogado Eugênio Aragão anunciou, nesta terça-feira, 19 de maio, que não está mais no caso.


A nota de Aragão: provas “consistentes e inequívocas” como condição

Por meio de nota, Aragão informou os motivos pelos quais deixa a condução da defesa de Paulo Henrique no caso Master. Em texto breve e direto, o advogado enviou o seguinte comunicado: “O advogado Eugênio Aragão informa que está deixando a condução da defesa de Paulo Henrique Costa. Com quase 30 anos de atuação no Ministério Público Federal e extensa trajetória em funções de cúpula da instituição, Eugênio Aragão somente participa de iniciativas jurídicas pautadas pela absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade. Eventual colaboração premiada apenas seria considerada diante da existência de provas consistentes e inequívocas, sempre com respeito à legalidade, às instituições e à reputação das pessoas envolvidas.”


Quem é Paulo Henrique Costa — e por que está preso

O ex-presidente do BRB está preso desde o dia 16 de abril e é investigado por atuar em uma tentativa de compra do Master pelo BRB, que teria levado o banco público de Brasília a um rombo bilionário. Para isso, segundo investigações da PF, Paulo Henrique teria recebido vantagens ilícitas de Vorcaro, como R$ 146 milhões em imóveis.


A segunda troca de advogado desde a prisão

Esta não é a primeira vez que Paulo Henrique Costa troca de defesa desde que foi preso. O ex-presidente do BRB já havia passado por uma mudança na equipe jurídica anteriormente, o que demonstra instabilidade na condução estratégica do caso. A saída de Aragão — um ex-procurador federal com quase três décadas de carreira no MPF — em plena fase de negociações de delação é um sinal de que as tratativas podem não estar avançando nos termos que o advogado considerava aceitáveis.


A delação que pode abalar ainda mais o escândalo Master

A saída de Aragão ocorre em um momento em que o caso Master está no centro das atenções políticas e jurídicas do país. Paulo Henrique Costa é uma das figuras-chave do escândalo: como presidente do BRB, teria facilitado a tentativa de compra do Banco Master pelo banco público do Distrito Federal — operação que, segundo investigadores, causou um rombo bilionário e envolveu o pagamento de vantagens pessoais pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Se a delação de Paulo Henrique avançar — agora sob a condução de novos advogados —, ela pode revelar detalhes sobre os bastidores políticos da operação e sobre a rede de relações entre o BRB, o Governo do Distrito Federal e o Banco Master. Um testemunho desse calibre, combinado com a proposta de delação já entregue por Vorcaro à PF e à PGR, pode transformar o caso Master no processo mais explosivo do Brasil às vésperas das eleições de outubro de 2026.

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