CPIs do Banco Master seguem travadas no Congresso mesmo com assinaturas suficientes — e a PF já investiga propina para barrar a comissão

Pedido de CPI do Banco Master é protocolado na Câmara dos Deputados

Quatro requerimentos apresentados por parlamentares de diferentes espectros políticos atendem aos requisitos formais, mas Alcolumbre mantém processo paralisado; Centrão resiste à instalação por temer exposição; PF apura se Vorcaro pagou para impedir a criação da CPI; Flávio atribui o bloqueio ao PT


Há pelo menos quatro requerimentos de CPIs relacionados ao caso Master — dois no Senado, um na Câmara e um de natureza mista — que atendem aos critérios formais para instalação. Entre os autores estão parlamentares de diferentes espectros políticos, evidenciando que o tema ultrapassa divisões partidárias. Apesar disso, a instalação dos colegiados não avançou.


Alcolumbre: a chave que não gira

O controle da pauta e a decisão sobre o andamento continuam concentrados no presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, que mantém o processo paralisado.

Mesmo com número suficiente de assinaturas em diferentes requerimentos, a CPMI segue sem leitura formal. Embora o pedido de CPI tenha assinaturas suficientes, ele depende da “leitura” em plenário, um ato formal feito pelo presidente do Congresso.

Alcolumbre é peça-chave por controlar a pauta do Congresso, mas seu nome também aparece nas investigações. Um fundo de previdência do Amapá, sob influência de seus aliados e de seu irmão, Alberto Alcolumbre, investiu R$ 400 milhões no Banco Master mesmo após alertas de risco, colocando em risco recursos destinados à aposentadoria de servidores públicos do Amapá. A assessoria do senador nega qualquer irregularidade ou interferência política nas decisões de investimento do fundo.


A PF investiga propina para travar a CPI

Investigadores apuram se Daniel Vorcaro pagou propina a senador para barrar a CPI do Banco Master no Congresso. O suposto pagamento teria ocorrido no primeiro semestre de 2026, período em que o Master passou a ocupar o centro das atenções após a compra parcial da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). Essa nova apuração não especifica se o senador investigado de travar a CPI seria Ciro Nogueira (PP-PI). De acordo com a Operação Compliance Zero, o presidente do PP recebeu mesada de R$ 300 mil a R$ 500 mil mensais do banqueiro para pautar projetos que beneficiariam o Banco Master.


O STF também freou a instalação

O presidente da Câmara, Hugo Motta, atuou para conter o andamento das investigações parlamentares. Esse movimento foi reforçado por decisões judiciais no STF. O ministro Cristiano Zanin rejeitou pedido do deputado Rodrigo Rollemberg para obrigar a Câmara a instalar a CPI. Em paralelo, um mandado de segurança apresentado por senadores, sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, ainda aguarda decisão.


A guerra dos requerimentos: oposição e governo disputam o texto

Após as derrotas do governo — com a rejeição de Jorge Messias e a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da dosimetria — a disputa pela CPMI do Master se intensificou e virou novo foco de embate entre a base governista, o Centrão e a oposição. A CPMI segue travada no Congresso mesmo com assinaturas suficientes, mas o autor do pedido, deputado Carlos Jordy (PL-RJ), diz que mantém a pressão para forçar a leitura e a instalação da comissão.

Parlamentares da base afirmam que topam subscrever pedidos alternativos, como os apresentados por Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), e resistem ao texto de Carlos Jordy (PL-RJ). A avaliação interna é de que o requerimento da oposição amplia o foco para além do caso financeiro e tensiona o STF, o que, na visão governista, desvirtua o objeto da comissão.


O Centrão teme a exposição — e o calendário eleitoral

Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que a resistência à instalação da CPMI passa pelo impacto potencial sobre partidos do Centrão, grupo que hoje concentra forte influência política e administrativa nas duas Casas. A leitura entre congressistas é de que uma investigação aprofundada poderia atingir mais nomes do Centrão do que da esquerda e da direita que mantiveram proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro e interlocução com o Banco Master.

Com as eleições de 2026 no horizonte, muitos parlamentares evitam comissões que exijam presença constante em Brasília e dedicação exclusiva. “CPI exige dedicação, pelo menos dois dias a mais por semana. Não sei se o pessoal está disposto a isso em período eleitoral”, afirmou um parlamentar.


Flávio Bolsonaro responsabiliza o PT

O requerimento para criação de uma CPI no Senado foi protocolado sem a adesão de senadores do PT em março deste ano. Flávio Bolsonaro atrelou a não instalação de uma CPI do Banco Master ao PT. “Misteriosamente, a base de Lula se recusou a assinar o pedido de investigação. A oposição apoiou. Eu assinei. Já os ‘companheiros’ preferiram ficar de fora. Por quê? Medo do que pode aparecer?”, questionou o senador em publicações nas redes sociais.

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