
Material em pen drive foi protocolado nesta terça-feira e cita políticos de direita, esquerda e principalmente do centro, com datas, horários e cidades; nenhum pré-candidato à Presidência aparece nos anexos, mas um ex-candidato hoje inelegível deve ser mencionado; análise pode levar mais de dois meses
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro entregou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República a proposta de delação premiada no âmbito das investigações do caso Master, que apura fraudes bilionárias no mercado financeiro. A entrega foi feita nesta terça-feira, 5 de maio, à PGR e à PF por meio de um pen drive. O conteúdo já começou a ser analisado pelas autoridades.

O conteúdo: festas, reuniões e viagens com data, hora e cidade
A proposta de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, descreve, com precisão, encontros, reuniões, festas e viagens envolvendo políticos.
A proposta de delação é organizada em anexos divididos por personagens. No material, Vorcaro narra datas, horários e cidades relacionados a encontros, reuniões, festas e viagens com políticos. Segundo as informações veiculadas na mídia, interlocutores com acesso às informações afirmaram que a proposta cita políticos de direita, de esquerda e, principalmente, de centro.
Um mês e meio de negociação na PF
Daniel Vorcaro deixou o presídio federal de Brasília em março e foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal. Nas instalações da PF, passou um mês e meio recebendo visitas diárias dos advogados para negociar os termos da colaboração.
Quem está fora — e quem pode aparecer
Os pré-candidatos à presidência Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro estão de fora da proposta de delação. Segundo fontes, nenhum atual pré-candidato aparece no material: Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Renan Santos e Aldo Rebelo. No entanto, um ex-candidato à Presidência que hoje está inelegível deve aparecer em um dos anexos.
Como funciona a análise da proposta
O conteúdo será analisado preliminarmente pelos investigadores antes da formalização de eventual acordo. A análise inicial ficará a cargo da PF e da PGR, que vão verificar se as informações apresentadas trazem elementos inéditos e provas capazes de sustentar os inquéritos em andamento. Integrantes da investigação estimam que essa etapa pode levar mais de dois meses.
Pela Lei 12.850/2013, a colaboração premiada exige elementos de corroboração. Na prática investigativa, cada relato constante nos anexos precisará ser confirmado por registros externos, como documentos corporativos, quebras de sigilo telemático, agendas ou comprovantes de deslocamento. A entrega do dispositivo não assegura a aceitação da delação nem garante benefícios penais imediatos a Vorcaro.
Os próximos passos
Os investigadores ainda não tratam o material como delação homologada. A tendência é que, após a triagem inicial, a PF e a PGR convoquem Vorcaro para novos depoimentos, etapa necessária para estruturar um eventual acordo formal de colaboração que, posteriormente, precisaria ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também foi preso na mesma operação e permanece detido em unidade prisional.