Em meio à crise de credibilidade, STF abre licitação de R$ 249 mil para monitorar redes sociais 24h por dia

Em meio à crise de imagem, STF abre licitação para monitorar redes sociais  24h

Edital prevê rastreamento de até 500 mil menções diárias ao tribunal e a seus ministros em X, Instagram, YouTube, Facebook, TikTok e Discord; contrato inclui mapeamento de influenciadores e classificação de sentimentos do público


O Supremo Tribunal Federal abriu licitação para contratar uma empresa especializada em monitoramento de redes sociais. A iniciativa ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da Corte. O edital prevê gasto de quase R$ 250 mil com o serviço. A sessão pública do pregão eletrônico está marcada para 11 de maio, às 14h. O critério de escolha será o menor preço, com contrato inicial de 12 meses. O serviço inclui monitoramento contínuo da presença digital do STF e de seus ministros em plataformas como X, Instagram, YouTube, Facebook e TikTok.

O que o contrato prevê

A empresa vencedora deverá realizar o levantamento de conteúdos em diversas plataformas digitais, incluindo X (Twitter), Instagram, YouTube, Facebook, TikTok, LinkedIn, Kwai e Discord. Além disso, o contrato prevê o levantamento dos principais formadores de opinião nas redes sociais que debatem sobre assuntos afetos ao STF, com análise de posicionamento e influência/capacidade de repercussão. A empresa contratada também deverá fornecer envio de pelo menos 30 alertas diários — podendo chegar a 300 — sobre temas com potencial de repercussão, via WhatsApp ou outros meios acordados, além de documentos diários e mensais com análises quantitativas e qualitativas, identificação de tendências, mapeamento de influenciadores e avaliação do impacto na opinião pública.

O STF exige que a empresa contratada tenha capacidade de lidar com alto volume de dados — estimado em até 500 mil menções por dia — e que ofereça recursos como classificação automática de sentimento (positivo, negativo ou neutro), identificação de tendências e mapeamento de influenciadores digitais. O edital também prevê a disponibilização de painéis com atualização recorrente e acesso direto para consulta pela equipe do tribunal. A estrutura mínima sugerida inclui quatro profissionais dedicados ao serviço, para garantir o monitoramento ininterrupto.

A justificativa do STF

O Tribunal justifica a contratação pela necessidade de uma estrutura tecnológica robusta que evite falhas na comunicação estratégica com a sociedade, dado o expressivo número de usuários e interações nos canais oficiais da Corte. O contrato terá vigência inicial de até 24 meses, podendo ser prorrogado. “O objetivo é reunir e sistematizar conteúdos de acesso público, permitindo à área de comunicação compreender demandas informacionais e orientar ações voltadas à transparência e ao esclarecimento de temas relevantes”, disse a Corte.

Em nota, a assessoria de comunicação do STF destacou que a iniciativa é uma “prática amplamente adotada por órgãos da administração pública e por instituições de diferentes setores”. Segundo a Corte, o objetivo é “ampliar o diálogo com a sociedade por meio de informações qualificadas, acessíveis e contextualizadas”.

O contexto da crise

Nos últimos meses, o STF se viu em meio a uma crise de imagem em função das investigações do caso do Banco Master. Em dezembro de 2025, veio à tona o valor de R$ 129 milhões do contrato entre o escritório da família de Alexandre de Moraes e o Banco Master. Em fevereiro deste ano, Toffoli admitiu ter sido um dos donos do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR) — a propriedade foi depois comprada por um fundo de investimentos pertencente ao cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel.

O lançamento do certame ocorre em meio a uma série de questionamentos sobre a credibilidade do Tribunal e diante das discussões sobre um código de conduta aos magistrados. Nesta semana, o decano da Corte, Gilmar Mendes, tentou defender o Tribunal, mas agravou ainda mais a crise. Ele defendeu a prorrogação do inquérito das fake news e citou a homossexualidade como possível acusação injuriosa contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema. A fala teve caráter homofóbico e o ministro foi obrigado a se retratar publicamente.

Não é a primeira vez

Em 2024, a Corte já havia contratado uma empresa para realizar o monitoramento das redes sociais, com previsão de término para julho de 2025. A nova licitação ocorre em um momento de crise causado pela investigação sobre o Banco Master.

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